Se ainda não ouviu falar neste termo, pode ir se acostumando, pois o futuro da arte está diretamente relacionado a essa tecnologia – como a maioria das coisas mercantis, e a arte é também um produto que movimenta muito dinheiro no mundo. Arte e tecnologia sempre andaram juntas, mas podemos falar sobre isso em outro momento. Hoje, vamos explorar a criptoarte.
A arte digital vem apresentando um exponencial crescente, assim como o surgimento de novos artistas e tipos de arte, resultando numa quantidade cada vez maior de possibilidades, impossível de ser acondicionada e exibida apenas em galerias e museus, por exemplo. Além, é claro, do meio digital precisar de outra forma de armazenamento.
E esse armazenamento de coisas digitais, tal como fotos, vídeos, mensagens, documentos etc., também pode ter as condições similares de seguranças oferecidas pelos meios convencionais. E é disso que se trata a criptoarte.
Artistas podem, por meio dela, armazenar e comercializar com segurança suas músicas, poesias, livros, textos, imagens, vídeos e tudo o que for possível guardar digitalmente.
Numa comparação bem simplista, a criptoarte nada mais é que uma galeria ou museu digital ou até mesmo um cofre bem protegido, onde as artes podem ser guardadas. Mais que isso, ela proporciona a integração digital entre diversos tipos de plataformas que permitem armazenamento, exposição e comercialização das obras lá guardadas.
A tecnologia que garante a autenticidade de uma obra nesse meio é a famosa blockchain, que é conectada a obra do artista, garantindo que não seja copiada. Assim como nas transações financeiras da criptomoeda – que vem sendo muito utilizada por quem vive no meio digital.
A primeira gravura totalmente digital a ser vendida foi "Everydays: the first 5.000 Days" ("Todos os dias: os primeiros 5.000 dias", em tradução livre), uma colagem de 5.000 imagens digitais do artista americano Mike Winkelmann, usando um recurso chamado NTF ("Non-Fungible Tokens" ou "tokens não fungíveis" – quem é do mercado financeiro vai entender o que é isso), mas de forma geral é um conceito de valorar algo único, exclusivo, que não gasta (tradução de fungível).
E outro tipo de obra também vendida recentemente nesse meio foi o primeiro post do twitter publicado por Jack Dorsey, CEO da rede social, pela bagatela de 2,9 milhões de dólares.
(Foto: Arquivo pessoal)
*Cassio Betine é head do ecossistema regional de startups, coordenador de meetups tecnológicos regionais, coordenador e mentor de Startup Weekend e pilot do Walking Together. Cássio é autor do podcast
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