Ciência e Tecnologia

Estudante de Mirandópolis cria “interpretador” de textos para pessoas com deficiência

O protótipo feito como trabalho de conclusão de curso pode ser operado por qualquer pessoa que saiba português e inglês

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba
28/01/19 às 08h00
Dispositivo realiza a leitura do texto impresso por meio de imagem captada e reproduz em áudio (Foto: Divulgação)

O estudante de Engenharia de Computação, Lucas da Silva, de 22 anos, de Mirandópolis (SP), desenvolveu uma tecnologia capaz de captar textos e convertê-lo em áudio. O dispositivo, que recebeu o nome de "Interpretador de livros para pessoas com deficiência visual ou baixa visão", foi criado como Trabalho de Conclusão de Curso no Unisalesiano (Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium), em Araçatuba (SP).

O dispositivo, que tem como objetivo a inclusão social, faz a captação do texto em livros ou revistas por meio de uma imagem digitalizada por um sistema e realiza sua conversão para áudio.

“O usuário deve ativar o sistema para preparar uma captura de foto e logo após colocar o livro com a página aberta ou folha impressa dentro da plataforma do dispositivo e confirmar a captura. O sistema irá tratar a imagem e confirmar para o usuário se ele deseja continuar a leitura”, explica.

A partir disso, o dispositivo realiza a leitura do texto impresso por meio da imagem tratada, realiza correção ortográfica, caso haja necessidade, gera o áudio e o reproduz. Quem estiver utilizando o aparelho, pode ir incluindo outras páginas para serem lidas ou finalizar a operação quando desejar.

"A tecnologia pode ajudar a melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência visual, agora eles podem ter acesso a qualquer tipo de material impresso, não somente o braile", conta Silva.

Operação

O sistema pode ser operado por qualquer pessoa que saiba os idiomas português e inglês, explica o acadêmico. O usuário deve passar por um treinamento básico, para saber onde fica cada botão e como inserir o documento na plataforma.

Por ter modo de acessibilidade, a ideia é que ele seja operado pelo próprio deficiente visual, que aciona uma biblioteca de vozes já gravadas que auxiliam o usuário em cada ação que ele opera.

O estudante conta que há duas formas de manusear a máquina. A primeira é por meio do uso do teclado táctil. A pessoa consegue identificar com o tato os botões que ele deve pressionar. A técnica é similar ao sistema Braille, explica Silva.  O segundo método aceita os comandos por voz do usuário e realiza as operações desejadas. Esta última opção ainda está em fase de melhoria, embora já esteja disponível para uso, lembra Silva.

 

O trabalho recebeu a orientação do docente James Clauton (Foto: Divulgação)


Melhorias

O projeto já passou por fase de testes em algumas pessoas que possuem dificuldades em realizar leitura de textos devido à idade avançada e o resultado foi satisfatório, segundo ele.

O próximo passo é fazer as melhorias necessárias, uma vez que o dispositivo só identifica fontes no tamanho 12 ou maiores, e não reconhece letras manuscritas e fontes cursivas.

“Estou trabalhando no projeto para que se torne mais prático no seu modo de acessibilidade, que melhore também a performance e a qualidade como se captura o texto. E por fim, uma nova versão para o dispositivo se tornar um óculos para melhor portabilidade”.

O trabalho recebeu a orientação do docente James Clauton. De acordo com o orientador, o protótipo de Silva atende ao conceito de desenvolvimento inerente à área de engenharia.

“No caso do interpretador de textos, a busca foi que pudéssemos fazer com o que nosso conhecimento agregasse alguma coisa de bom pra sociedade. Vai facilitar muito a vida das pessoas na leitura. Revistas do cotidiano, por exemplo, não possuem o sistema Braille. Com esse protótipo, o deficiente passa não ter tanta limitação”, finaliza o docente.

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