Ciência e Tecnologia

Instagram versus saúde mental de adolescentes

"Apesar de especialistas e psicólogos alertarem há tempos sobre os riscos e perigos do uso desenfreado das redes sociais, esse relatório também revela algumas estatísticas interessantes: cerca de 6% das meninas americanas e 13% das inglesas já tiveram pensamentos relacionados a suicídios em decorrência do uso exclusivo do Instagram"

Cássio Betine*
19/09/21 às 18h00
(Foto: Banco de imagem)

Um vazamento de dados do Facebook expõe a empresa sobre a negligência de um relatório deles próprios que concluiu que o Instagram é prejudicial à saúde mental de adolescentes do sexo feminino.

Para quem não sabe, o Facebook é dono do Instagram e também do Whatsapp. E essa negligência se daria pelo motivo de não terem tomado providências sobre o fato, embora tivessem conhecimento dos perigos apontados no relatório vazado.

O Wall Street Journal, que teve acesso aos relatórios, citou estudos da plataforma feitos nos últimos três anos que examinaram como o aplicativo afeta sua base de usuários jovens. Eles tiveram acesso aos slides de comunicação interna da empresa — o que possibilitou a análise de documentos em áreas como saúde mental, discurso político e tráfego de pessoas.

Apesar de especialistas e psicólogos alertarem há tempos sobre os riscos e perigos do uso desenfreado das redes sociais, esse relatório também revela algumas estatísticas interessantes: cerca de 6% das meninas americanas e 13% das inglesas já tiveram pensamentos relacionados a suicídios em decorrência do uso exclusivo do Instagram.

E os motivos que levam essas meninas pensarem sobre isso são em sua maioria de aspecto estético, uma vez que a rede exalta recursos para deixar as pessoas mais bonitas e atraentes por meio dos diversos filtros para fotos e vídeos, que obviamente, não condizem com a realidade, o que leva, ainda segundo os relatórios, um em cada três adolescentes afirmou se sentir mal em relação ao seu corpo devido às referências que tem acesso. 

O estudo conclui ainda que esse tipo de situação gera recorrentemente consequências como crises de ansiedade e depressão.

Outro motivo que se soma a isso é a dependência das redes. Muitas delas afirmam que não conseguem se livrar desse vício de jeito nenhum.

A conclusão da empresa sobre o assunto é de que alguns dos problemas eram específicos da página e não da mídia social de forma geral. “A comparação social é pior no Instagram”, dizem os pesquisadores. Alertam ainda que a página Explorar, que exibe fotos e vídeos com curadoria de um algoritmo, pode enviar os usuários a conteúdos que podem ser prejudiciais. “Aspectos do Instagram se exacerbam para criar uma tempestade perfeita”, alerta um trecho da pesquisa.

Mas, talvez uma pergunta caiba neste cenário: será realmente que essas redes sociais digitais são a única causa desses problemas? E antes disso, as revistas, os desfiles de moda e as propagandas com garotas "perfeitas" também não impactaram as adolescentes das outras gerações?

Que fique para nossa reflexão!

(Foto: Arquivo pessoal)

*Cássio Betine é head do ecossistema regional de startups, coordenador de meetups tecnológicos regionais, coordenador e mentor de Startup Weekend e pilot do Walking Together. Cássio é autor do podcast Drops Tecnológicos

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo comunicação.

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