Ciência e Tecnologia

O dilema dos dispositivos de voz

"E o fato desses equipamentos estarem tomando conta de tudo isso e, principalmente, estarem “conversando” com as pessoas é que vem mobilizando alguns grupos de estudiosos que defendem a intervenção por regulamentações rígidas para essas máquinas"

Cássio Betine*
06/06/21 às 18h00

Além de ser uma grande tendência, os dispositivos de voz estão cada vez mais “espertinhos”. Um relato que viralizou recentemente foi sobre uma resposta um tanto quanto irônica da Alexa para seu usuário, onde ela faz uma piada, digamos, de mau gosto ( confira aqui ).

Esses dispositivos possuem sistemas de machine learning (aprendizado de máquina), que possibilita que absorvam muitas coisas enquanto estejam em uso (ou apenas conectados), como novas palavras, terminologias, tons, sons, tensão da voz e sabe-se lá o que mais. Depois as utilizam respondendo a perguntas ou comportamentos dos interlocutores. E, segundo especialistas do setor, esse aprendizado não tem fim.

Hoje, por exemplo, várias facilidades já são oferecidas por esses equipamentos. Os mais simples permitem que você dite um texto para ser enviado como mensagem no WhatsApp, peça para fazer uma ligação telefônica ou realize uma pesquisa no Google. Os mais sofisticados permitem que reproduzam sua agenda do dia, pesquisem por notícias de sua preferência e as leiam para você, e até mesmo controlem outros equipamentos conectados de sua casa ou escritório como smartvs, aparelhos de som, geladeiras, luzes, câmeras, alarmes etc.

E o fato desses equipamentos estarem tomando conta de tudo isso e, principalmente, estarem “conversando” com as pessoas é que vem mobilizando alguns grupos de estudiosos que defendem a intervenção por regulamentações rígidas para essas máquinas.

Joseph Turow, professor da universidade da Pensilvânia, na Florida (EUA) acredita que os governos devem interferir imediatamente sobre essas tecnologias antes que seja tarde de mais e possam perder o controle sobre elas.

Ele defende o ponto de vista de que os humanos não podem ser julgados pelo seu tom de voz, ou de modo mais abrangente, pela leitura corporal feita por equipamentos - alguns dispositivos e sistemas ópticos já fazem isso, como os leitores faciais que podem identificar possíveis intensões de uma pessoa através da expressão de seu rosto. Conclui afirmando que é uma questão muito complexa onde envolve diversos fatores não alcançáveis pelas máquinas, podendo levar a desfechos trágicos ou injustos.

O contraponto dessa tese é que as máquinas são “ensinadas” por humanos e são os próprios humanos que definem sobre as percepções e julgamento de seus similares. Obviamente não apenas por observação corporal, como argumenta o professor, mas por suas ações, histórico e outras condições intangíveis ou imprevisíveis.

Mas será que elas não podem aprender isso também? Algoritmos de inteligência artificial já estão num nível tão alto de autonomia que talvez o “tarde de mais” seja uma realidade, caso uma IA dessas esteja perdida por aí.

(Foto: Arquivo pessoal)

*Cassio Betine é head do ecossistema regional de startups, coordenador de meetups tecnológicos regionais, coordenador e mentor de Startup Weekend e pilot do Walking Together. Cássio é autor do podcast Drops Tecnológicos


** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

Gostaria de ter artigos publicados no Hojemais Araçatuba ? Entre em contato pelo e-mail redacao@ata.hojemais.com.br

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA
Franquia:
Araçatuba SP
Franqueado:
Connect Jornalismo Digital LTDA
48.486.487/0001-90
Editor responsável:
Lazaro Silva Júnior MTB 48158
lazaro.junior@ata.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.