Cultura

Após 20 anos, Grupo Experimental usa a internet para promover escritores

Uma das novidades deste ano é o blog "GE 20 anos", que tem como objetivo reunir conteúdo do grupo

Manu Zambon  - Hojemais Araçatuba 
18/02/19 às 12h50
Alguns dos membros do grupo; em pé, da esquerda para a direta, Antenor Rosalino, Hosanah Spindola, Hélio e, sentadas, Fátima e Elaine Cristina de Alencar (Foto: Manu Zambon)

Quando o professor, jornalista e escritor Hélio Consolaro tomou posse na AAL (Academia Araçatubense de Letras), em 1997, sua condição para integrar a confraria era poder criar um grupo de escritores paralelo, que não se limitasse aos 20 acadêmicos.

Assim surgiu o Grupo Experimental, o mais antigo do município ligado à literatura e produção de textos independentes. Neste ano, o grupo comemora 20 anos de existência, tendo iniciado suas primeiras reuniões e atividades em 1999 sob a coordenação do professor Hélio.

Ao longo desse tempo, o grupo desenvolveu ações importantes no município, foi o “berço” de algumas figuras-chaves da área cultural em Araçatuba e aproximou a literatura da sociedade.

Atualmente a responsável pela coordenação do grupo é a relações públicas Fátima Florentino, que comanda o núcleo com cerca de 30 integrantes. Seu mandato vai até final de 2020. Entre os membros, destaque para a estudante Lorrani Cristina da Silva Pereira, de apenas 9 anos ( leia a matéria completa sobre ela ).

O GE se reúne todas as segundas terças-feiras de cada mês, às 19h30, na sede da AAL, com palestras variadas. Quem tiver interesse em participar, o grupo é aberto para a população. "A nossa concepção enquanto grupo é que aqui é um lugar de militância literária. Temos que expandir, defender e divulgar a literatura. Temos que fazer mais gente ler e não ficar só aqui dentro”, Hélio.

Contato

Em todos esses anos, um dos destaques apontados por Consolaro e Fátima são as coletâneas "Experimentânea", que já são bastante tradicionais no município. A 12ª edição da obra foi lançada no ano passado, com textos inéditos - poesias, crônicas, entre outros estilos - e participação de 29 membros. 

Além das publicações impressas do grupo, o meio digital tem se tornado uma aposta do grupo para estar em contato com a sociedade, divulgando as produções dos escritores. Uma novidade para este ano é o blog , recém-lançado em comemoração aos 20 anos. Seu objetivo é acolher e divulgar os textos produzidos pelos integrantes do grupo, ajudar na organização da próxima coletânea e fomentar a produção de novos conteúdos.

De acordo com Consolaro, que media e publica os textos no blog, há três tipos de participantes envolvidos no projeto: o membro do grupo, o acadêmico da AAL e o convidado.

Ainda sobre o meio digital, Consolaro destaca que os blogs, redes sociais e demais plataformas on-lines são capazes de tornar realidade a autonomia dos escritores. “Com o advento da internet, você passou a ser o dono do seu livro. O processo de produzir pode ser seu. Você pode fazer a capa, editar. Chegamos ao ideal; eu escrevo e eu mesmo publico”.

Perfis 

As baladas literárias realizadas periodicamente no O Quintal Cultural, desde o ano passado, como uma “herança” dos saraus organizados antigamente pelo grupo, também têm encontrado o seu espaço entre os públicos variados. “Nos últimos anos, o grupo deu uma encolhida, mas com essas baladas agora começamos a ter outros participantes e de perfis diferentes”, afirma Hélio.  

Consolaro também se orgulha de algumas figuras importantes para a cultura e que passaram pelo grupo há alguns anos. Ele destaca a jornalista e cantora Talita Rustichelli, a gerente adjunta do Sesc (Serviço Social do Comércio) de São José do Rio Preto (SP), Graziela Nunes, o ator Edd Barba, de Araçatuba, entre outros nomes.

“Cinco ou seis acadêmicos já saíram daqui. O grupo impulsionou esse talento, angariou mais conhecimento. Isso é uma das coisas que mais me enchem de entusiasmo”, conclui Fátima, que frequenta o grupo há um ano e teve um texto seu publicado em um livro pela primeira vez na edição do ano passado da Experimentânea.

Sobre o perfil literário de Araçatuba, Consolaro destaca um ponto interessante. Segundo ele, o município publica vários livros, principalmente em épocas de comemorações ou homenagens.

“Ninguém fala em gravar CD ou vídeo, quer lançar um livro. Não sei se temos tantos leitores quanto temos livros publicados. São mais de 12 lançamentos por ano, na média”, destaca o professor. “Quando temos uma academia dentro de uma cidade, a literatura é mais cuidada. A cultura é a que faz a personalidade da cidade e não um amontoado de rua e nem de concreto”, completa Consolaro.

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