Cultura

Estudante de 9 anos é a integrante mais jovem do Grupo Experimental da AAL

Lorrani integra o Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras e já teve suas histórias publicadas em livro

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba
18/02/19 às 12h32
Lorrani improvisa como suporte para escrever um pedaço de madeira que era de um móvel (Foto: Manu Zambon)

“Era uma vez, uma coruja que estava sempre aflita, pois nunca tinha filhotes. Um dia, achando finalmente que teria um filhote, foi logo falar para todos os animais da floresta dizendo: - Venham! Vamos nos unir!”.

A história “A Mãe Coruja” foi escrita pela estudante Lorrani Cristina da Silva Pereira, que com apenas 9 anos é a integrante mais nova da história do Grupo Experimental da AAL (Academia Araçatubense de Letras) de Araçatuba, nos 20 anos de sua criação ( veja matéria completa ) .

Seu conto, cujo trecho abriu a reportagem, faz parte da 12ª edição da coletânea “Experimentânea”. Além desse texto, ela assina outros que fazem parte da publicação. A pequena integrante sente orgulho do certificado que recebeu do Comdica (Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente de Araçatuba) como uma homenagem pela sua participação no livro.

Lorrani está no quarto ano do ensino fundamental e é a terceira filha da empregada doméstica Bernadete Eloisa da Silva Pereira, de 41 anos. A estudante se destaca no grupo composto por pessoas mais velhas, com uma média de idade acima dos 30 anos.

Início

A menina começou a frequentar o GE quando tinha apenas 8 anos. Bernadete conta que um amigo da família, que tem contato com o grupo, viu a Lorrani lendo para o irmão mais novo uma história de sua autoria.  “Ele pediu pra ler a história que ela estava lendo e convidou a Lorrani para ir ao grupo. E ela vai até hoje uma vez por mês”, destaca Bernadete.

“Eu acho muito legal ir no grupo porque eu aprendo palavras novas para colocar nas minhas historinhas. Eles (integrantes) são senhores muito legais”, explica a menina, que é uma participante ativa nas reuniões e produz textos para ler no grupo.

 

A estudante mostra a página com seu texto na coletânea "Experimentânea" (Foto: Manu Zambon)

Rabiscos

O apreço pela literatura surgiu antes mesmo de aprender a ler e escrever. Sua mãe conta que Lorrani costumava rabiscar nas folhas dos cadernos, como se estivesse escrevendo um texto, e “lia” a história que imaginou. E foi assim até aprender a ler.

Lorrani também se lembra de um momento que teve na escola, após ter finalizado uma atividade. Ela pegou um livro escrito pelo professor, jornalista e escritor Hélio Consolaro, de Araçatuba, para ler. A estudante conta que gostou da história e partir daí começou a escrever suas próprias histórias, usando sempre os animais como personagens principais.

Quando está em casa, nos seus momentos de lazer, ela conta que prefere muitas vezes ler um livro à brincar com os seus brinquedos. Na sua casa, Lorrani tem um caderno repleto de histórias, que ela escreve com frequência e guarda com muito cuidado.

Entre as obras que já leu, ela destaca “O Pequeno Príncipe” e “Pocahontas”. Além dos seus livros, a garota diz que sempre “visita” a estante de livros da sua mãe.

Hábito

“Ela gosta de ler textos variados. Se você deixar o jornal, ela lê. Se deixar revista, ela lê também”, ressalta Bernadete. Por falar em jornal, Lorrani já teve ums história publicada na Folha da Região, de Araçatuba, e diz que quando “crescer” quer ser repórter, “porque os repórteres viajam bastante, escrevem e leem”, explica a estudante.

O hábito de leitura vem de berço. Além de conviver com os livros da sua mãe desde quando era mais nova, Bernadete explica que o universo literário sempre esteve presente em casa. Quando não conseguia ler alguma história para os filhos, devido a um problema na visão, ela escolhia algum conto que tinha na memória.

“Sua habilidade com a escrita vai ajudar muito futuramente. Se ela seguir em frente com isso, ela tem meu apoio. Se ela parar, já terá sido bom, porque ela vai ter matéria de redação na escola, vai usar na faculdade. Quanto mais você lê, mais você aprende”, finaliza a mãe de Lorrani.

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