Dirigido por Akiva Schaffer (Saturday Night Live), ‘Tico e Teco: Defensores da Lei’ é um “soft-reboot/continuação” da série animada ‘Tico e Teco: Os Defensores da Lei’, exibida entre 1989 e 1990. O filme mostra os dois esquilos vivendo entre animações e humanos, em Los Angeles, dos dias atuais, em um universo onde desenhos animados convivem com pessoas comuns e as animações que assistimos na TV nada mais são do que atores interpretando papéis, e quando o desenho acaba, eles podem ir fazer outras coisas, desde outro programa até um emprego completamente mundano. Na trama, Tico e Teco se reúnem anos após o cancelamento do seu desenho e partem em uma investigação sobre o desaparecimento de um antigo colega de elenco.
E o resultado é maravilhoso, uma grata surpresa! Um filme divertido, que explora bem a nostalgia e o absurdo, criando uma trama satisfatória para reunir novamente a dupla de esquilos.
9) X: A Marca da Morte / Pearl (X / Pearl. EUA, 2022. Dir.: Ti West)
A dobradinha de terror dirigida por Ti West ganha uma menção conjunta entre os melhores do ano, isto porque todo o projeto é interessante. Durante as gravações de ‘X: A Marca da Morte’, o diretor e a atriz Mia Goth se empolgaram tanto com a história que decidiram escrever uma prequela imediatamente. Assim, as gravações já emendaram e ‘Pearl’ acabou sendo gravado logo na sequência.
Em ‘X’, a história acompanha um grupo de jovens que vai para uma fazenda com o objetivo de gravar um filme adulto, no final dos anos 1970. Logo, eles acabam se deparando com o casal de idosos que são os donos da propriedade e, inadvertidamente, são levados à uma luta insana pela sobrevivência.
Neste primeiro filme, o cineasta lança mão da violência e da exploração do sexo para fazer um filme de terror bem diferente dos clichês contemporâneos. Além disso, o filme conversa artisticamente com clássicos do gênero, como ‘O Massacre da Serra Elétrica’, e esses detalhes vão transformando a obra em um excelente terror trash.
Já ‘Pearl’ se passa em 1918, em meio ao temor da Gripe Espanhola e segue a rotina da jovem Pearl (sim, a idosa assassina de ‘X’) e as consequências que a fizeram tornar-se a personagem doentia do primeiro filme. O longa é violento e chocante, mas tem o ritmo mais desacelerado, com mais foco no desenvolvimento da personagem e no desenvolvimento da sua personalidade, se tornando uma das melhores histórias de origem dos últimos anos.
8) Avatar: O Caminho da Água (Avatar: The Way of Water. EUA, 2022. Dir.: James Cameron)
Apesar do roteiro simplório (leia-se...), e das inúmeras conveniências narrativas presentes em ‘Avatar: O Caminho da Água’, o longa surpreende ao conseguir elevar o grau de preciosismo técnico do seu antecessor. Além de números impressionantes de bilheteria (no momento em que eu escrevo essas linhas, o novo "Avatar" caminha a passos largos para se tornar o filme de maior bilheteria lançado em 2022), ‘O Caminho da Água’ é um espetáculo visual inigualável. É de atordoar o que James Cameron conseguiu fazer. Cada detalhe do filme é incrível e inegavelmente marcante.
Propondo uma experiência cinematográfica diferente do convencional, a produção utiliza o que há de melhor na tecnologia para criar uma experiência visual incrível no cinema, com algumas das técnicas de efeitos especiais mais impressionantes já feitas na história da sétima arte. Vale um lugar na lista de melhores do ano!
7) The Batman (Idem. EUA, 2022. Dir.: Matt Reeves)
Entreposto por sutileza e bons achados visuais, na sugestão de que Batman está também a um passo de se tornar seu próprio inimigo, o filme ‘The Batman’ trabalha com diversos aspectos do cinema de suspense noir, e habilita um lado mais detetivesco do personagem título, estabelecendo uma linguagem, invariavelmente, intensa e realística do herói. O longa reapresenta o personagem em seu segundo ano como vigilante de Gotham; ele já tem a confiança do tenente James Gordon, mas visivelmente ainda é o órfão crescido que aderiu ao vigilantismo para ventilar seus ressentimentos. Um Batman que está começando e que tem uma certa imaturidade, tentando descobrir o seu verdadeiro papel no combate ao crime.
Sempre um personagem à procura de um ator, Batman se encontra em Robert Pattinson e na direção febril e musculosa de Matt Reeves. Dentro da proposta, o ator se mostrou uma escolha acertada para o papel e, The Batman, o único filme do gênero de heróis realmente digno de nota em 2022.
6) Pinóquio (Pinocchio. EUA, 2022. Dir.: Guillermo Del Toro, Mark Gustafson)
Poucos meses após o lançamento de ‘Pinóquio’ - a versão dirigida por Robert Zemeckis, no Disney Plus, Guillermo Del Toro em parceria com a Netflix e também com Mark Gustafson, com quem divide o crédito de direção, apresentaram uma adaptação do personagem cuja abordagem é mais adulta e a visão mais sombria, e que mais se aproxima da melhor adaptação feita até hoje, a de Luigi Comencini em 1972. Isto a faz, consequentemente, ficar mais próxima, em tom e fidelidade, à história original de Carlo Collodi.
A ambientação da história na Itália de Mussolini, enriquece esteticamente o filme, uma vez que o faz ser uma importante voz de resistência quanto a gravidade decadentista do fascismo. Há ainda uma maior atração pelos aspectos monstruosos, tanto nas figuras mais realistas como nas mais fantásticas, como a fada azul e sua irmã das profundezas, em um nível que o torna muito interessante para adultos, sem jamais perder o encanto infantojuvenil. A escolha pelo estilo stop motion é acertadamente incrível e consagra a animação como um dos melhores filmes do ano passado.
5) Não! Não Olhe! (NOPE. EUA, 2022. Dir.: Jordan Peele)