Economia

Birigui diversifica setores produtivos

Embora a indústria calçadista ainda seja a que mais emprega, há alguns anos ela já não é a principal arrecadadora

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
07/12/19 às 13h00
Novo parque abrigará empresas dos mais variados setores, o que evidencia a força industrial (Foto: Aline Galcino/Hojemais Araçatuba)

Birigui chega aos 108 anos com foco na diversidade da economia local. Tradicionalmente dominada pela indústria calçadista, segmento que coloca o município em destaque mundial como um dos maiores produtores de calçados infantis, a cidade começa a despertar interesse de outros setores. 

Embora a indústria calçadista ainda seja a maior empregadora – no ano passado, de acordo com levantamento do Sinbi (Sindicato da Indústria do Calçado e Vestuário de Birigui), o setor empregou 17 mil pessoas e teve faturamento de R$ 1,73 bilhão – o calçado já não é, há alguns anos, a principal fonte de arrecadação do município. 

Atualmente, a cada R$ 100 de ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) gerados em Birigui, R$ 25 são da indústria metalúrgica, R$ 24 vêm de editoras e R$ 16 são do setor da alimentação. Calçados e outros setores correspondem apenas a 6% desse bolo. 

De acordo com o titular da Sedecti (Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação), Nelson Giardino, a mudança vem ocorrendo desde a última década e tem à frente, principalmente, empresários locais que eram originalmente do ramo calçadista e que viram novas oportunidades em outros segmentos. “Temos aqui uma demanda por serviços muito grande e as empresas começaram a diversificar seus portfólios”, afirma. 

Para o município, essa mudança é positiva, pois traz um equilíbrio industrial e evita que o município sofra com crises. “As demais indústrias empregam menos do que o calçado, porém mantêm os empregos estáveis”, pontua.

Novo parque

A diversidade dos setores produtivos é visível no Distrito Industrial 2 “Armando Penterich”, inaugurado em dezembro de 2017, após investimento superior a R$ 5 milhões na compra do terreno e obras de infraestrutura, como galerias de drenagem de água pluviais, rede coletora de esgoto e de distribuição de água, guias, sarjetas, pavimentação e iluminação.

Localizado entre a avenida Isaura Macarini Albani e a estrada municipal BGI 020, na região norte da cidade, o distrito possui 102 mil metros quadrados de área e tem aprovação para instalação de 54 empresas. Atualmente, está praticamente consolidado, tendo apenas um lote disponível para doação.

O local abrigará empreendimentos dos mais variados setores: calçadista, ração para animais, metalurgia, construção civil, robótica, gráfica, aquecedor solar, setor moveleiro, segmentos da cadeia produtiva calçadista, máquinas e equipamentos, entre outros, evidenciando a força industrial de Birigui.

De acordo com a Sedecti, algumas empresas contempladas já estão funcionando e produzindo no local, enquanto outras estão com seus projetos de construção aprovados e logo iniciarão suas obras de construção. “Em decorrência da envergadura do projeto e do tamanho do parque industrial, a consolidação do distrito ocorrerá ao longo dos próximos anos gerando emprego, renda e oportunidades para a população da cidade potencializando o desenvolvimento de uma importante região de Birigui”, explica a pasta. No local estão os bairros Portal da Pérola 1 e 2, Candeias, Calçadista, Acapulco, Athenas, Recanto Verde, entre outros. 

Secretário Nelson Giardino mostra mapa do Distrito Industrial 2 (Foto: Aline Galcino/Hojemais Araçatuba)

Minidistritos

Fora o Distrito Industrial 2, a Prefeitura trabalha no projeto de construção de dois minidistritos. Um dos projetos terá 50 mil metros quadrados de área disponível para indústrias e o outro, 12 mil m². O primeiro será em uma área que dá continuidade do Distrito Industrial 2 e o segundo, no bairro Atenas, com capacidade para atender 12 empresas. Os estudos estão em fase final, com objetivo de iniciar as obras já em 2020.

“Estamos tendo muitas consultas, porque estamos abrindo a economia e criando um ambiente propício para o empreendedor. Temos hoje 80 mil m² de área consultada por empresas de fora, o que preencheria esses dois minidistritos”, adiantou. As empresas que desejam investir em Birigui são de segmentos variados: energia, distribuição de combustíveis e indústria de plásticos. “Do calçado tivemos a consulta de uma grande empresa internacional que está fazendo um projeto para o Brasil. Houve uma primeira consulta de disponibilidade de área, que está sendo feita em vários polos calçadistas. Mas se a conversa caminhar, será um grande player internacional em Birigui”, afirma Giardino.

Número 1

Além desses projetos em andamento e fase de consolidação, Birigui possui o Distrito Industrial 1 “Raif M. Rahal”, implantado entre o final dos anos 1980 e início da década de 1990. No local, há 18 empresas de grande porte, muitas com mais de 40 anos de atividade e com mercado interno e externo consolidados. É um parque industrial bem diversificado, com empresas dos segmentos moveleiro, metalúrgico, de máquinas e equipamentos, papel, bens de capital, plásticos, entre outros.

Concentração

Fora dos distritos, há ainda alguns setores com uma concentração pequena de empresas, mas que se destacam e divulgam o nome de Birigui, como o de geração de energia solar e fotovoltaica, um segmento caracterizado por alta tecnologia e que está em alta pela sustentabilidade; e o setor aeronáutico, que abriga desde a fabricação de produtos até a prestação de serviços. A esmagadora maioria das indústrias está fora dos distritos. 

A indústria calçadista, por exemplo, está espalhada por todos os bairros de Birigui. Um dos motivos, segundo o secretário, é a proximidade com os trabalhadores.

Exportações chegaram a mais de 60 países

Sessenta e três países compraram produtos das empresas biriguienses entre janeiro e outubro de 2019, conforme informações divulgadas pelo Ministério da Economia e compiladas pelo Observatório de Inteligência Econômica da Sedecti de Birigui.

Entre janeiro e outubro de 2019, a balança comercial de Birigui apresentou saldo positivo de US$ 15,59 milhões. As exportações totalizaram US$ 28,02 milhões e as importações US$ 12,43 milhões.
Em relação aos principais países compradores dos produtos biriguienses, os destaques foram para a China (32% do total), Bolívia (11%), Venezuela (8,3%) e Equador (7,0%). Já em relação as importações, os três grandes fornecedores foram a China com 53%, Coréia do Sul (12%) e Uruguai (7,1%).

Para Nelson Giardino, da Sedecti, o superávit de Birigui ajuda o Estado de São Paulo e o Brasil. “Temos aqui um polo importante no interior de São Paulo nessa área de exportação”, definiu.

Inteligência

O relatório integra o projeto Observatório de Inteligência Econômica, que vem sendo desenvolvido pela Prefeitura de Birigui, por meio da Sedecti. Essa estrutura é responsável por realizar estudos e pesquisas econômicas e acompanhar a evolução dos indicadores econômicos da cidade.
O objetivo é suprir as demandas de informações e conhecimento dos agentes econômicos do município. 

LEIA TAMBÉM
 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
  09/07/26 às 13h34
  08/07/26 às 16h40
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM ECONOMIA
Franquia:
Araçatuba SP
Franqueado:
Connect Jornalismo Digital LTDA
48.486.487/0001-90
Editor responsável:
Lazaro Silva Júnior MTB 48158
lazaro.junior@ata.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.