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Combate à corrupção na pauta da população

Ex-candidata a deputada federal pelo Partido Novo, Mônica Rosenberg ministrou palestra em Araçatuba

Hugo Rocha - Hojemais Araçatuba
09/04/19 às 16h00
A advogada Mônica Rosenberg é uma das fundadores do instituto Não Aceito Corrupção e foi candidata a deputada federal (Foto: Hugo Rocha)

A advogada Mônica Rosenberg, 50, é uma entusiasta no combate à corrupção. Co-fundadora do instituto Não Aceito Corrupção, ela segue na defesa do movimento. Atualmente ela não está filiada, pois desligou-se para se candidatar a deputada federal pelo Partido Novo, onde segue filiada e atuante.

Confiante no povo brasileiro, Mônica fala com experiência própria que “não existe nenhum povo igual o brasileiro”. Durante cinco anos ela residiu nos Estados Unidos e outros 10, na França.

No final de março, a convite do Partido Novo local, Mônica visitou Araçatuba (SP) para tratar sobre o tema da corrupção e se deparou com um público participativo e entusiasmado em debater soluções.

Em entrevista a Hojemais Araçatuba , a ex-candidata a deputado federal falou sobre o combate à corrupção, a Lava Jato e a prisão do ex-presidente Michel Temer.

Corrupção

O combate à corrupção começou com uma visão totalmente não política. O instituto Não Aceito Corrupção é apartidário e não é político. Entrei nisso porque eu sou advogada, tinha clientes estrangeiros e precisava explicar como é nossa lei trabalhista, as leis fiscais e o gringo achava que eu estava mentindo.

Em dezembro de 2015 foi a primeira vez que apareceu no Data Folha como maior preocupação do brasileiro a corrupção. Reuni um amigo promotor e outro que é jornalista e falamos “vamos fazer alguma coisa? Vamos montar uma ONG de inteligência?” Porque não tem números sobre a corrupção, é um crime extremamente disfarçado, a gente só tem número da corrupção que deu errada.

Começamos a fazer pesquisas sobre corrupção, levantar dados e a ideia era isso, fazer uma coisa científica para estudar o fenômeno da corrupção. Fiz vários projetos, foi uma coisa muito gratificante e 2017 eu conheci o Partido Novo e falei: “nossa, aqui tem um caminho, aqui faz sentido se envolver na política porque tem a minha cara”. E comecei a conhecer, me inscrevi no processo seletivo do partido, fui conhecer direito como ele funcionava e vi que era realmente o que eles dizem que são e me encantei.

Eleições

Comecei a fazer campanha e percebi que a minha candidatura fazia sentido e era viável. Por muito tempo eu acreditei que seria eleita. Hoje eu sou a 1ª suplente, não fui eleita porque faltou dinheiro.

Pedir dinheiro é uma coisa muito difícil quando você nunca pediu para ninguém. É um aprendizado, inclusive da importância de mudar a forma de financiamento da nossa política. Faltou dinheiro, mas a minha candidatura foi muito valorizada dentro e fora do Novo.

A Adriana Ventura (deputada federal pelo Partido Novo) montou uma frente de combate à corrupção que é muito forte pela relevância da causa e pela pluralidade das pessoas que estão nela.

Já fomos falar com o (Sergio) Moro, estivemos com o presidente da Câmara, o Rodrigo Maia, para pedir que ele paute a PEC 333, que é a PEC do fim do foro privilegiado, que já foi aprovada no Senado, já passou pela comissão e só precisa ir para a votação no plenário e quem decide isso é o Rodrigo Maia.

Renovação

Tem ainda muita velharia dentro da Câmara, tem muito ranço, muita velha política. Mas num ambiente que era fechado, a hora que você coloca pessoas do Novo, de renovação e de todos os partidos que querem fazer diferente, não tem volta. O olhar das pessoas de renovação está obrigando os velhos a se transformarem, então eu tenho muito otimismo. Não é uma coisa que vai de um dia para o outro mudar.

Governo Bolsonaro

Não tem atuado, estamos esperando ver se ele vai fazer alguma coisa. Ele fala muito, acho que ele poderia estar sendo maior no sentido da grandeza do cargo e da esperança que o povo brasileiro teve com ele. Mas acredito que ele vá fazer, ele tem boas intenções.

Lava Jato

É a coisa mais importante que aconteceu no Brasil nos últimos anos. Ela fez 5 anos agora em março e é importantíssima, não só por ter condenado pessoas, ela tocou os intocáveis, recuperou dinheiro. A coisa mais importante que a Lava Jato fez foi expor as entranhas da podridão do poder, foi mostrar o mecanismo de corrupção ao nível que ele chegou. Por isso, a Lava Jato é tão importante, não existe volta depois dela.

Prisão de Michel Temer

Teve um lado midiático muito importante que foi mostrar que “olha o Temer também vai ser alcançado, a Lava Jato não é só contra o PT. Ela vai se chegar a todos os corruptos”. Foi legal que ele teve a preventiva e foi razoável que ele tenha sido solto, porque são momentos processuais e tudo isso estava dentro do esperado. Não temos que festejar que ele foi preso nem lamentar que ele foi solto, foi tudo aos passos do “xadrez”. O importante é que, lá na frente se houver provas, ele seja condenado e cumpra a pena.

Visita a Araçatuba

Foi maravilhoso. Não vou dizer que foi uma surpresa, mas o nível das perguntas me deixou muito entusiasmada. Tinha um menino de 10 anos que veio me questionar em relação à prisão do Temer, um jovem que sabia e tinha informação, conteúdo e que fez perguntas pertinentes. Pessoas inteligentes e interessadas presentes. Gostei muito, foi uma palestra muito produtiva até para mim e espero poder voltar muito para Araçatuba.

Instituto Não Aceito Corrupção

Eu não estou mais no instituto. Quando me candidatei precisei me desassociar porque nós somos realmente apartidários. Mas o instituto continua firme e forte, ele vive de doações e principalmente divulgando os projetos que estamos fazendo. Tem que entrar no site www.naoaceitocorrupcao.org , onde tem os projetos. No blog, toda semana tem postagem sobre o trabalho. Quanto mais o instituto for conhecido, mais nossas ideias vão chegar mais longe.

Conselho aos que não gostam de política

Tenho falado muito isso para mulheres que geralmente dizem que não gostam de política: a política está presente em todas as coisas, não é só o que está acontecendo no Congresso.

Quem pensa que não gosta de política, na verdade, está sofrendo com a política e só não sabe por onde reagir. As pessoas precisam achar esse caminho de como participar da vida política do País e, às vezes, são coisas muito simples. Quanto mais informação a sociedade tiver, mais a gente volta a ter o poder que é nosso e assim a gente vai poder fazer diferença.

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