Nome: Erika Tamura
Idade: 43 anos
Pais: Hiroyuki Tamura e Noriko Tamura
Filhos: Christian Kenzo Tamura Sumida e Melissa Kaori Tamura Sumida
Onde mora: Ayase (Kanagawa) no Japão
Formação: Direito e administração
Cidade: Araçatuba e Tóquio
País: Brasil e Japão
Trabalho: Coordenadora de eventos na ONG Sabja (Serviço de Assistência aos Brasileiros no Japão)
ONG: A ONG Sabja atua em todo Japão. Temos orientação jurídica, psicológica, educacional e cotidiana. O carro chefe é o atendimento psicológico, via consulado do Brasil. É tudo gratuito. Nós mantemos financeiramente com doações de empresas privadas e subsídios do governo japonês.
Semelhanças entre Brasil e Japão: não vejo semelhanças, são países e culturas completamente diferentes; eu diria que são complementares. O que falta em um país, tem em outro.
Maiores diferenças: é tudo diferente. Tudo! Desde costumes, cultura, idioma.
Maior saudade do Brasil: a comida, com certeza.
Diferenças entre japonês, chinês e coreano: o japonês é quieto, o chinês é mais ousado e o coreano é o mais culto (risos).
Brincadeiras à parte, vendo pelo lado dos negócios, o japonês é mais cauteloso, prudente, cuidadoso. O chinês é agressivo, tem pressa, sabe onde quer chegar e o coreano é mais estudioso e preparado, mas também arrojado e determinado.
O que você não tolera: ultimamente, aprendi a tolerar tanta coisa... Talvez eu não tenha muita paciência com a ignorância. Hoje em dia, onde as informações pulam na nossa frente, acho que não há muito espaço para os ignorantes.
Sonho de consumo: demorei para responder essa pergunta, porque realmente não tenho um sonho de consumo que eu ache importante. Quero ter saúde, mas não é de consumo, né? Já passei por alguns problemas de saúde no Japão, então para mim, isso é o mais importante.
Um prazer: estar em Araçatuba, não abro mão disso, pelo menos uma vez por ano, preciso vir para Araçatuba.
Comida preferida no japão: não tem (risos)! Não gosto de comida japonesa. Mesmo morando há 21 anos no Japão, não gosto.
Comida preferida no Brasil: todas! Falou que é comida brasileira, eu abraço.
Local que mais te agrada no Brasil e um no Japão: no Brasil é Araçatuba (risos). Deveria ser nomeada secretária internacional de Araçatuba; divulgo muito essa cidade, mas é porque eu gosto mesmo. No Japão é Tóquio! Amo.
Dica de turismo no Japão: Tem vários. Todos lindos. Mas todas as vezes que vejo o Monte Fuji, eu fico encantada. Adoro andar pelas ruas de Tóquio e ver as obras arquitetônicas. Tenho até anotação de cada lugar e seus respectivos arquitetos!
Maior dúvida dos brasileiros ao ir para lá: não sei se é dúvida, mas é uma dificuldade, que é o idioma. Poucos japoneses falam inglês, então não se iludam achando que vai ser fácil se virar falando inglês. Agora, e somente agora, devido às Olimpíadas, é que os japoneses colocaram placas informativas de locais, com a letra romana, pq até então era em kanji (letra japonesa) mesmo.
Estudo: Unitoledo e Aiec (Associação Internacional de Educação Continuada).
Razão ou emoção: deveria ser razão, mas é emoção mesmo.
O que te realiza: o desenvolvimento dos meus filhos me realiza demais. E eu amo fazer eventos, amo meu trabalho.
Um refúgio: acho que minha casa no Japão, eu passo tanto tempo fora que, tem dia que a única coisa que eu quero é ficar em casa.
O que não pode faltar numa viagem para o Japão: conhecer a cultura japonesa e vivenciar isso, tentar absorver ao máximo o que essa cultura tem para oferecer de bom.
Um desejo: gostaria muito que o Brasil fosse mais seguro. Chego no Brasil e fico tensa. No Japão a sensação de segurança chega a ser reconfortante. O avião pousa no Japão e eu sinto uma paz.
Uma boa lembrança: tenho ótimas lembranças. No plural. A vitória do Corinthians no Japão, todos os jogos de vôlei que assisti no Japão, os artistas que recebi em Tóquio.
São várias lembranças, mas a que me mais me marcou mesmo foi em 2011, no tsunami! Falo que isso foi um divisor de águas na minha vida. Primeira vez que tive medo e insegurança em relação ao futuro no Japão. E depois, fui fazer trabalho voluntário nas áreas atingidas pelo tsunami. Meu Deus, aquilo pra mim foi uma lição de vida! Percebi que eu não tenho problemas. E não tenho o direito de reclamar de nada.
Uma curiosidade do dia a dia japonês: um ponto que reparei quando cheguei aqui no Brasil: Por que os brasileiros falam no celular, no viva voz, sem fone de ouvido? Achei tão incômodo. Isso no Japão é inadmissível. É tudo muito silencioso! Dentro do metrô, todos estão nos celulares, mas ninguém está falando, pois é proibido. No trânsito, é muito raro ouvir buzina.
O Japão é um país que dita regras em tudo e para tudo e todos, já o brasileiro quer burlar as regras. Por favor, quem for ao Japão, pense em seguir regras, facilitem a minha vida, pois a fama dos brasileiros no Japão é de que não conseguem seguir regras.
Uma lição que recebeu e não esquece até hoje: foi no pós-tsunami, onde eu fazia o trabalho voluntário. Chegamos em um abrigo, eu e meus amigos, e todos os desabrigados estavam famintos, pois o exército tinha acabado de chegar lá, um pouco antes de nós.
Vi um menino de uns 8 anos e perguntei se ele estava com fome; ele respondeu que sim. Então, eu disse para ele que iria dar a minha comida, que levamos para mim e os meus amigos. E ele me respondeu: Mas tem para todo mundo? Se for só pra mim, eu não quero. Tem que ter para todos.
Foi aí que eu entendi que o Japão se reergueria diante de qualquer tragédia. Um país onde as crianças têm esse pensamento, onde prevalece o coletivo e o respeito ao próximo, é um país preparado para ser desenvolvido sempre, independentemente de quaisquer acontecimentos negativos.
Foram tantas lições que aprendi nesse tsunami, que depois disso, a minha vida mudou. Ou melhor, eu mudei a minha visão em relação à vida.
Mesmo porque, para mim não foi fácil. Minha casa ficou com a estrutura comprometida com o terremoto, tive que me mudar, perdi alguns pertences, mas naquela hora, não liguei pra nada disso. Só pensava em ficar bem e segura com os meus filhos.