Nas redes sociais, o volume de compartilhamento de matérias e conteúdos noticiosos é cada dia maior. Nessa mesma proporção, o fluxo de informações falsas é alarmante.
Com isso, o cuidado ao compartilhar uma informação deve ser redobrado. Para fazer um bom uso das informações recebidas, o editor de redes sociais da revista Carta Capital, Júlio Simões, dá uma dica aos leitores: pesquisar sobre o tema rapidamente, antes de propagar a notícia, principalmente se o veículo não for confiável.
Em visita do
Hojemais Araçatuba
, quando esteve na cidade para uma palestra a alunos de jornalismo, o jornalista de 32 anos traçou um panorama do conteúdo jornalístico nas redes sociais e como o leitor pode ficar atento com notícias mentirosas.
Abaixo você confere os principais trechos da entrevista:
Redes sociais no dia a dia
Hoje em dia, todo mundo que vai ler e vai acompanhar essa entrevista, sabe bem como é a presença do celular nas nossas vidas. A gente acorda olhando o celular. É um péssimo habito, mas a gente faz isso. Antes de dormir, nós sempre damos uma olhadinha. Estamos transitando muitas horas no celular durante o dia. Ele é um companheiro constante.
É difícil para nós que produzimos jornalismo competir com tantas outras coisas, por exemplo, WhatsApp, Netflix, Spotfy, Facebook. Para entrarmos nisso aí, é complicado.
Atualmente, as redes sociais servem como decisão de compra; fundamental para as pessoas. Ninguém compra nada sem dar uma pesquisada antes, para saber se está um preço melhor na internet. Ela faz parte da vida das pessoas intensamente.
Está muito complicado para gente se diferenciar e chamar a atenção. A chamada economia da atenção. O dia tem 24h e elas fazem várias coisas e no celular elas fazem muito mais. Entrar nessa competição é duro.
Interação com o leitor
As redes da Carta têm bons números. O Instagram vem crescendo bastante também, mas estamos presentes em praticamente todas. Mais recente no WhatsApp, testando algumas coisas. No Youtube, que não deixa de ser uma rede social.
Por isso que você deve imaginar que a gestão de comentários é muito complexa. A prática de censurar ou deletar postes, só quando é ameaça, ofensas muito graves. Queremos que nossa caixa de mensagens seja um espaço para debate. Nem sempre quem está lá está para o debate. É complicado, mas é do jogo também.
Mas a gente faz uma gestão um pouco distante. A gente não tem muita condição de ficar monitorando muito de perto.
Já nos comentários inbox a gente acompanha de perto. O inbox é um jeito da pessoa falar diretamente. Na caixa de comentários, ou ela está falando sozinha, ou provocando alguém ou só debatendo. Os inboxes são comunicações diretas com a Carta Capital. Tem muita bobagem, mas tem coisa que dá para atender.
Por outro lado, vem correção de matérias, sugestão de pauta, uma dica; as vezes, uma pergunta que se sobressaia, a gente tenta ir atrás e fazer algo referente àquilo.
Por ser um termômetro, do outro lado da recepção do público, a gente tenta ler (os comentários). Também tem um volume alto e a gestão é complexa, mas as mensagens têm mais a nossa atenção e vira e mexe elas viram alguma ideia que transformam em pauta. Principalmente para web, porque a revista segue outro padrão.
"Tem que ter um senso crítico em cima daquilo (que recebe ou vê na internet). Tem que olhar com atenção", Júlio Simões, editor de redes sociais da Carta Capital.
Identificando mentiras
O ideal primeiro é desconfiar, sempre. Tem que ter um senso crítico em cima daquilo (que recebe ou vê na internet). Tem que olhar com atenção. Muitas vezes uma pessoa no calor do momento, ouvindo o que gostaria de ouvir, mesmo sendo mentira, acaba compartilhando.
Num segundo momento, seria importante que as pessoas tivessem paciência para pesquisar um pouco, nem que fosse no Google. Você pega aquela corrente que recebeu no WhatsApp e coloca no Google e veja se alguma fonte, digamos, tradicional, também deu aquilo. Se procede ou não.
Tem que verificar se são fontes oficiais, a imprensa profissional, aquelas com CNPJ, porque hoje em dia tem muitos blogs. Aliás, o princípio da fake news é você criar todo um visual, uma maquiagem para você enganar as pessoas mesmo.
Se as pessoas tiverem essa paciência e forem buscar, no Google, com certeza isso já diminui as fake news. Fora que tem muita coisa absurda.
Talvez leve um tempo até que as pessoas façam isso, talvez a gente tenha que passar por muitas situações de mentiras, mas vamos precisar educar as pessoas com relação àquilo que elas leem por aí.
Jornalismo e redes sociais
As redes sociais são importantes para divulgar as notícias, para chegar as pessoas. Elas estão no celular, se elas estão no Twitter, no Facebook, no Instagram, você precisa estar lá. Não dependem de outras plataformas apenas, mas você precisa estar para cada uma delas, principalmente na distribuição (do conteúdo).
Fora isso, você tem esse canal maravilhoso de ouvir o feedback das pessoas. Você pode tomar bastante porrada, mas pode receber elogios. Não dá para fazer jornalismo sem pensar numa presença nas redes. Sempre com estratégias de ouvir, atender e estar alinhado.