O Ministério Público denunciou por homicídio duplamente qualificado e por furto, o homem de 43 anos acusado de assassinar o policial militar da reserva Wilson de Souza Gomes, 54 anos, crimes ocorridos em 31 de janeiro em Guararapes.
Ele é tio, porém, considerado pai de criação da estudante de 22 anos que mantinha um relacionamento amoroso com a vítima e que testemunhou a homicídio.
A moça inicialmente tentou preservar o familiar, mas depois confessou que ele era o assassino e que deixou o local do crime na moto com o tio. O corpo foi abandonado dentro do carro do policial, em um canavial na zona rural da cidade.
Segundo a denúncia, o casal mantinha um relacionamento amoroso desde 2016, mas o tio da jovem havia descoberto o caso recentemente e não concordava.
Naquela noite, a jovem saiu com o tio para comer um lanche e quando chegou em casa, o policial militar a pegou com o carro dele. O casal seguiu para um canavial próximo a um motel, lugar esse frequentado por eles outras vezes.
Após manterem relação sexual, os dois foram surpreendidos pelo tio da moça, que estava encapuzado. Ele havia parado a moto a certa distância para não chamar a atenção e flagrou o casal ainda sem as roupas.
Tiros
Naquele momento, a sobrinha do acusado estava em pé, do lado de fora do veículo, e o tio dela mandou que entrasse no carro e sentasse no banco traseiro. O policial estava no banco do motorista e o acusado perguntou se ele era Gomes.
De acordo com a denúncia, a vítima respondeu que sim, levantou as mãos e se apresentou como policial. Apesar disso, o tio da jovem apontou a arma e disparou, acertando a vítima na cabeça e no tronco.
Furto
Após matá-lo, o acusado pegou os aparelhos de celular do casal e mandou a sobrinha vestir o policial, que foi deixado no carro. Nesse momento, ela já havia reconhecido o tio pela voz e pelos olhos.
O acusado mandou a sobrinha caminhar pelo carregador com ele até chegarem na moto, onde ele tirou o capuz e os dois deixaram o canavial com o veículo.
No caminho, a jovem perguntou ao tio por que ele havia matado o policial e ele respondeu que era para salvá-la dela mesmo . O acusado a deixou na estrada, próximo de um motel, e foi embora.
Nesse local, a menina pediu ajuda, alegando que tinha sido vítima de assalto e que teria ouvido disparos de arma de fogo, o que levou a polícia a encontrar o corpo de Gomes.
Durante a investigação, os policiais descobriram o que fato havia acontecido, localizaram e prenderam o a acusado. Levado para a delegacia, o tio da estudante utilizou do direito de não se pronunciar.
Culpado
Para a promotora de Justiça Maria Cristiana Lenotti Neira, ficou evidente que o acusado agiu por motivo fútil, pois não concordava com o relacionamento da sobrinha com a vítima, e não deu chance de defesa ao policial, que estava nu e desarmado quando foi morto.
Caso a denúncia seja aceita, ele poderá ser pronunciado e ir a júri popular.
Quanto à estudante, o MP entende que em tese ela praticou o crime de favorecimento pessoal , previsto no artigo 348 do Código Penal, que prevê pena de até 6 meses de detenção .
Porém, por ser de menor potencial ofensivo, ele pediu à Justiça que cópia da denúncia seja encaminhada ao Jecrim (Juizado Especial Criminal) de Guararapes para as providências cabíveis.