Justiça

Acusado de matar policial militar é denunciado por homicídio duplamente qualificado e furto

Ele é tio da estudante que mantinha relacionamento amoroso com a vítima e alegou que estava "salvando ela dela mesma"

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
19/02/19 às 11h08
Policial militar da reserva foi morto a tiros dentro do carro, em canavial de Guararapes (Foto: Reprodução)

O Ministério Público denunciou por homicídio duplamente qualificado e por furto, o homem de 43 anos acusado de assassinar o policial militar da reserva Wilson de Souza Gomes, 54 anos, crimes ocorridos em 31 de janeiro em Guararapes.

Ele é tio, porém, considerado pai de criação da estudante de 22 anos que mantinha um relacionamento amoroso com a vítima e que testemunhou a homicídio.

A moça inicialmente tentou preservar o familiar, mas depois confessou que ele era o assassino e que deixou o local do crime na moto com o tio. O corpo foi abandonado dentro do carro do policial, em um canavial na zona rural da cidade.

Segundo a denúncia, o casal mantinha um relacionamento amoroso desde 2016, mas o tio da jovem havia descoberto o caso recentemente e não concordava.

Naquela noite, a jovem saiu com o tio para comer um lanche e quando chegou em casa, o policial militar a pegou com o carro dele. O casal seguiu para um canavial próximo a um motel, lugar esse frequentado por eles outras vezes.

Após manterem relação sexual, os dois foram surpreendidos pelo tio da moça, que estava encapuzado. Ele havia parado a moto a certa distância para não chamar a atenção e flagrou o casal ainda sem as roupas.

Tiros

Naquele momento, a sobrinha do acusado estava em pé, do lado de fora do veículo, e o tio dela mandou que entrasse no carro e sentasse no banco traseiro. O policial estava no banco do motorista e o acusado perguntou se ele era Gomes.

De acordo com a denúncia, a vítima respondeu que sim, levantou as mãos e se apresentou como policial. Apesar disso, o tio da jovem apontou a arma e disparou, acertando a vítima na cabeça e no tronco.

Furto

Após matá-lo, o acusado pegou os aparelhos de celular do casal e mandou a sobrinha vestir o policial, que foi deixado no carro. Nesse momento, ela já havia reconhecido o tio pela voz e pelos olhos.

O acusado mandou a sobrinha caminhar pelo carregador com ele até chegarem na moto, onde ele tirou o capuz e os dois deixaram o canavial com o veículo.

No caminho, a jovem perguntou ao tio por que ele havia matado o policial e ele respondeu que era para salvá-la dela mesmo . O acusado a deixou na estrada, próximo de um motel, e foi embora.

Nesse local, a menina pediu ajuda, alegando que tinha sido vítima de assalto e que teria ouvido disparos de arma de fogo, o que levou a polícia a encontrar o corpo de Gomes.

Durante a investigação, os policiais descobriram o que fato havia acontecido, localizaram e prenderam o a acusado. Levado para a delegacia, o tio da estudante utilizou do direito de não se pronunciar.

Culpado

Para a promotora de Justiça Maria Cristiana Lenotti Neira, ficou evidente que o acusado agiu por motivo fútil, pois não concordava com o relacionamento da sobrinha com a vítima, e não deu chance de defesa ao policial, que estava nu e desarmado quando foi morto.

Caso a denúncia seja aceita, ele poderá ser pronunciado e ir a júri popular.

Quanto à estudante, o MP entende que em tese ela praticou o crime de favorecimento pessoal , previsto no artigo 348 do Código Penal, que prevê pena de até 6 meses de detenção .

Porém, por ser de menor potencial ofensivo, ele pediu à Justiça que cópia da denúncia seja encaminhada ao Jecrim (Juizado Especial Criminal) de Guararapes para as providências cabíveis.

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