Justiça

Casal que matou e esquartejou advogado tem prisão preventiva decretada

Segundo o Ministério Público, Laís Lorena Oliveira Crepaldi planejou o crime e convidou o namorado para ajudá-la

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
13/03/20 às 19h12
Corpo do advogado Ronaldo César Capelari foi encontrado em sacos de lixo na casa de Lais Lorena Oliveira Crepaldi (Foto: Lázaro Jr./Hojemais Araçatuba)

A Justiça de Araçatuba (SP) decretou na tarde desta sexta-feira (13), as prisões preventivas de Laís Lorena Oliveira Crepaldi, 19 anos, e do namorado dela, Jonathan de Andrade Nascimento, 21.

O casal estava preso temporariamente desde janeiro, acusado de matar e esquartejar o corpo do advogado Ronaldo Cesar Capelari, crimes ocorridos em 13 de janeiro, na casa da jovem, no bairro Água Branca. As prisões temporárias venceriam neste sábado (14).

Ao converter as prisões em preventiva, o juiz Roberto Soares Leite considerou que as circunstâncias do crime revelam personalidades perigosas à ordem pública, pois agiram com requintes de crueldade.

Além disso, não possuem ocupação definida e poderão fugir com facilidade se postos em liberdade. “Embora primários, o crime praticado foi hediondo, com requintes de extrema crueldade”, consta no despacho.

Ela planejou

De acordo com a denúncia do Ministério Público, de autoria do promotor de Justiça Sérgio Ricardo Martos Evangelista, foi Laís quem planejou assaltar o advogado e convidou o namorado dela para participar do crime.

A jovem relatou à polícia que havia conhecido o advogado dois meses antes e nesse período teria feito programas sexuais com ele três vezes.

Em duas ocasiões eles se encontraram em um motel e na terceira, na casa dela, onde o corpo foi localizado no dia seguinte ao desaparecimento da vítima.

Ainda segundo a denúncia, o namorado de Laís tinha conhecimento de que ela realizava programas sexuais e inclusive frequentava a casa dela e a ajudava nos afazeres domésticos.

Convite

Laís teria contado ao namorado no domingo (12/01), a intenção de roubar Capelari e o convidou para participar do crime.

No dia seguinte ela mandou mensagem a outro “cliente” convidando-o à casa dela, tudo na presença do namorado. Essa pessoa não respondeu ao convite.

Já no início da noite, ela enviou mensagem ao advogado, também o convidando para um programa sexual no imóvel. A vítima aceitou o convite e chegou à residência da denunciada pouco depois das 20h.

Capelari estacionou a caminhonete na frente do imóvel, entrou na casa e quando seguia para o quarto, foi surpreendido por Nascimento, que estava escondido próximo a um tanque de lavar roupas.

Marteladas

De posse de um martelo, ele passou a golpear a vítima nas costas e cabeça, enquanto Lais ficou no quarto, acompanhando as agressões.

Capelari perdeu parcialmente os sentidos e caiu próximo do banheiro, onde passou a receber chutes pelo corpo.

Ele teve a boca amordaçada com fita adesiva por Laís e em seguida, as pernas e os braços amarrados para trás do corpo com uma corda, que também foi amarrada ao pescoço.

O advogado teve ainda um capuz colocado na cabeça, o qual foi vedado com fita adesiva.

Facadas

Após a vítima ser imobilizada, a denunciada abriu o portão da casa e o namorado dela colocou a caminhonete na garagem. Durante a manobra, ele bateu o veículo na lateral do muro.

De volta ao interior do imóvel, eles passaram a limpá-lo. Ao perceber que o advogado estava gravemente ferido, Laís decidiu que deveriam matá-lo e deu uma faca ao namorado.

Nascimento esfaqueou a vítima nas costas, depois a puxou pela cabeça, utilizando a corda, e desferiu uma facada no pescoço.

Apesar dos ferimentos, Capelari continuou vivo e foi levado para o banheiro. Enquanto Nascimento lavava o corpo, a namorada dele começou a limpar o sangue na casa.

Eles roubaram R$ 200,00 em dinheiro, o celular, uma aliança de ouro, um relógio de pulso e uma pasta de couro que estava na caminhonete.

Programa

Sem que o namorado soubesse, Laís mandou nova mensagem para o “cliente” que havia convidado pela manhã para um programa e ele a pegou em frente à casa dela, com uma moto.

Ela passou a noite com esse rapaz, enquanto o namorado dela tentou se desfazer do corpo. Como não conseguiu, Nascimento saiu com a caminhonete, que abandonou próximo de um ecoponto na rua dos Fundadores.

Antes, ele esteve na casa dele, no bairro Umuarama, onde trocou de roupas e pegou uma marmita.

Após abandonar a caminhonete, o denunciado voltou para a casa da namorada, pegou uma bicicleta e foi para a casa dele, levando os R$ 200,00 roubados do advogado. Somente por volta das 9h ele foi procurado pela namorada, na casa dele.

Esquartejamento

O namorado contou à jovem que não conseguiu remover o corpo do advogado e eles decidiram juntos pelo esquartejamento. Nascimento comprou dois pares de luvas cirúrgicas em uma farmácia e um pacote de sacos lixo em um supermercado.

Após deixar os materiais na casa da namorada, ele voltou à casa dele para pegar as ferramentas usadas no esquartejamento. Ele teria cortado o corpo da vítima em várias partes enquanto a namorada lhe oferecia as ferramentas.

Laís também utilizou uma marreta para quebrar parte do muro danificada pela caminhonete da vítima.

As partes do corpo foram colocadas em três sacos de lixo, deixados no banheiro e casal foi à casa de Nascimento.

Ele pediu ao pai dele o carro emprestado, junto com uma carretinha, alegando que iria recolher entulhos da casa da namorada. Como o pai dele se propôs a ir com ele, o jovem desistiu da ajuda.

Descobertos

Ainda na manhã da terça-feira a polícia encontrou a caminhonete abandonada e os sacos de lixo como as partes do corpo foram localizados durante a noite. As mãos de Capelari não foram encontradas.

Consta na denúncia que Nascimento as colocou em um saco que foi deixado no ecoponto da rua Fundadores, próximo de onde havia deixado a caminhonete da vítima.

O celular do advogado e a chave do veículo ele disse ter jogado no ribeirão Baguaçu, na ponte da avenida Odorindo Perenha.

Denúncia

Os dois foram denunciados por latrocínio, que é o roubo seguido de morte, e destruição de cadáver.

O Ministério Público quer ainda que Laís seja condenada por denunciação caluniosa, por ter mentido à polícia. Três jovem chegaram a ser presos temporariamente após serem acusados falsamente por ela de participação no crime.

Caso a denúncia seja aceita e os réus condenados, a pena mínima será de 21 anos para Nascimento e de 23 para Laís. Eles não irão a Júri Popular.

Pena mínima para Laís Lorena Crepaldi será de 23 anos (Foto: Reprodução)
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