A Prefeitura de Penápolis (SP) assinou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público e com o Ministério Público do Trabalho, se comprometendo a até o dia 31 de dezembro de 2026, concluir a efetiva extinção e liquidação da Emurpe (Empresa Municipal de Urbanização de Penápolis).
A empresa foi criada na década de 1980 para a construção de moradias em sistema mutirão, inclusive, sendo Penápolis pioneira nesse tipo de empreendimentos residenciais populares.
Entretanto, de acordo com a própria Procuradoria Geral do Município, com o tempo, a empresa perdeu o objetivo, pois o governo federal lançou sistemas de moradia no qual os imóveis são construídos por empresas privadas, com o custo subsidiado pelo programa Minha Casa Minha Vida.
Assim, ao longo dos anos, a direção da empresa e os funcionários não elaboraram estudos e alterações estatutárias para viabilizar sua manutenção e coube ao município repassar dinheiro para o pagamento da folha de pagamento e também fornecer materiais e mão de obra, quando repassava alguma construção para Emurpe.
Contestações
Segundo o que foi apurado pela reportagem, entre 2000 e 2018, num total de 19 exercícios, em 15 deles as contas da empresa foram rejeitadas pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado). Além disso, houve uma ação civil pública do Ministério Público por conta da má-gestão da Emurpe no período de 2013 a 2016.
Em decisão de primeira instância, em 2020, o pedido foi julgado improcedente, mas em maio de 2021, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) acatou recurso e condenou o prefeito da época, o diretor-presidente e o diretor administrativo e financeiro da Emurpe.
No caso do prefeito, a pena foi a suspensão dos direitos políticos por 8 anos e o pagamento de multa; e para o diretor-presidente e o diretor administrativo e financeiro, as penas foram suspensão dos direitos políticos pelo período de 5 anos e multa.
Inquérito civil
Como as contas da Emurpe de 2022 foram novamente rejeitadas, em 2025 o Ministério Público instaurou um novo inquérito civil. Em resposta aos questionamentos feitos pela Promotoria de Justiça, a Procuradoria Geral do Município cita que pelos processos que tramitaram na Justiça anteriormente, ficou demonstrado falta de zelo pela coisa pública nas administrações anteriores.
Cita ainda que o TCE havia proibido a passagem de obras para a Emurpe e que vendo os funcionários da empresa sem efetivo trabalho, com base no Regimento Interno, recebeu e lotou esses trabalhadores em diversos setores da Prefeitura, para viabilizar a liquidação.
Ainda de acordo com a Procuradoria do Município, o desejo desses trabalhadores era que o município os incluisse no quadro dos servidores da Prefeitura, o que era considerado impossível pela administração municipal, pois eles não teriam prestado concurso público para serem servidores municipais.
Dívida
Consta ainda que em dezembro de 2020, último ano da gestão anterior, foi feito o parcelamento na Receita Federal, de dívidas de FGTS e INSS relativos a esses trabalhadores, para ser pago em 60 meses, com término previsto ainda para este ano.
Diante de tudo isso, a atual administração em 2021, ainda durante a pandemia, retomou os estudos de viabilidade da Emurpe e decidiu pela liquidação da empresa, de acordo com projeto encaminhado à Câmara Municipal.
A proposta não previa convênio com a Emurpe para que os funcionários executem as mesmas atividades na Prefeitura. Segundo o que foi informado, em agosto de 2025, a empresa contava com mais de 40 funcionários, dos quais, 19 aposentados pelo INSS.
