Falar sobre cidade e meio ambiente é gostoso e necessário, afinal, é nas cidades onde quase todos vivemos. Temos memórias afetivas ligadas a locais, algumas associadas a nostalgias de como era antes e como é hoje. Pensar isso já te traz sensações sobre lugares da sua vida, não é mesmo?
Temos aquela paisagem preferida da nossa cidade, às vezes associada ao horizonte, prédios, nascer ou pôr do sol, ou a regiões mais verdes como parques. Também temos a memória de locais desagradáveis, associados a lixo, barulho, pouca ordenação ou muitos estímulos.
Na perspectiva que trago aqui, de pensar a cidade e seus córregos, indico Maringá e Londrina que, em comum, têm seus córregos urbanos como belos parques lineares onde milhares de seus cidadãos saem diariamente para suas caminhadas e lazer nestes espaços públicos.
Orgulham-se de seus cartões postais retratando o verde urbano. É impressionante, faz querer que minha cidade tenha locais semelhantes.
Porém, nosso Noroeste paulista foi na direção oposta. Inspirando-se no modelo paulistano dos anos 40, aqui se difundiu a cultura de canalizar córregos e ocupar suas margens com concreto e asfalto, invés de recompor sua mata ciliar e criar sistemas de lazer nos fundos de vales urbanos.
O resultado é comum nas nossas cidades: faltam espaços de lazer verdes, infraestrutura tem entraves e recorrência de inundações com prejuízos públicos e privados nas épocas chuvosas. Chamados de “valetões” pela população, simboliza-se nessa palavra a morte dos riachos urbanos, inclusive no imaginário do cidadão.
E essa cultura persiste. Na região ainda se vê esforços de políticos e investidores para canalizar mais um córrego para dar lugar a uma avenida e gerar lucros em cima de áreas de importância ambiental. Propagandeia-se que é desenvolvimento, mas na verdade isso amputa da cidade a beleza e benefícios dos parques lineares de fundo de vale. É maior lucro imediato para poucos em detrimento da qualidade de vida de todos.
Quem fez a cidade e quem a faz hoje? E o que leva uma cidade a ser mais ou menos verde e agradável?
Antes a população não tinha vez e voz. Hoje, existem espaços de participação onde os cidadãos e ONGs podemos ser ouvidos, contribuindo com a definição de diretrizes do desenvolvimento, especialmente nos Planos Diretores Municipais. A participação cidadã é fundamental para garantir às futuras gerações a perpetuação de uma cidade mais bonita, saudável e sustentável.
Vamos pensar juntos a cidade que queremos?