Opinião

A dramática e interminável busca pela felicidade (parte 1)

"Na verdade, esse seria o maior projeto humano, ou seja, se cada um buscasse a felicidade do outro, ninguém seria carente da tão sonhada e desejada felicidade"

José Márcio Mantello
09/06/23 às 09h00

Desde os primórdios da humanidade, ainda que de forma instintiva, o homem sempre buscou
a tal da felicidade. Muitas fórmulas, receitas prontas, nos foram ensinadas para alcançá-la. Todavia, a maioria estava equivocada. Fato é que, manuais são bons para máquinas, mas estamos tratando do ser
humano com todas as suas complexidades, demandas, mazelas e mistérios, e isso, por si só, demanda um outro tipo de olhar.

Infelizmente, desde a idade mais tenra, passamos a acreditar que a felicidade está no fazer e, principalmente, no TER. Mas, logo cedo também, aprendemos que ela não está nem no desempenho e nem no acumular ou no consumo das coisas. Tanto é assim que, quanto mais realizações e quanto mais coisas (objetos) acumulamos, mais insatisfeitos nos tornamos (Salomão que o diga – Livro de Eclesiastes).

E é exatamente trilhando esse caminho de desilusões e frustrações, que começamos a tatear e dar os primeiros passos rumo à descoberta da morada da felicidade. Na verdade, o caminho para a felicidade é um tanto diferente de todos aqueles que nos ensinaram. Ele é, na verdade, um tanto quanto paradoxal: Somente quando abrimos mão da felicidade “ilusória”, pautada no TER e não no SER, é que estaremos próximos de alcançar a verdadeira felicidade.

Partindo dessa consciência, podemos afirmar que, em vez de procurar a própria felicidade nas coisas efêmeras, passageiras, no fast food que nos oferecem no balcão da vida e, passarmos, então, a termos um olhar altruísta, voltado para o outro, certamente, estaremos bem mais próximos de encontrá-la. Em outras palavras, só é verdadeiramente feliz, aquele que abriu mão de ser feliz a qualquer custo e, passa a ter como projeto de vida, fazer os outros felizes.

Na verdade, esse seria o maior projeto humano, ou seja, se cada um buscasse a felicidade do outro, ninguém seria carente da tão sonhada e desejada felicidade. Porém, nos tornamos egocêntricos, querendo e quase exigindo que todos me façam feliz; que tudo deve orbitar em torno de mim e, assim, nos tornamos um “mar morto”, onde só se recebe, mas não escoa e, dessa forma, nos tornamos um local de morte, não de vida.

Sem querer cometer o mesmo erro de criar um “manual” ou uma “receita do bolo da felicidade”, posso fazer apenas uma afirmação sem medo de errar: a verdadeira felicidade é ALTRUISTA, nunca egoísta! O grande drama da felicidade pós-moderna é composto de modelos equivocados do que é felicidade. Esses “modelos” equacionam e ao mesmo tempo reduzem a felicidade ao mero prazer (hedonismo). Pior ainda, divorcia a felicidade da textura ética da vida. É a felicidade a qualquer preço (custe o que custar).

A busca pela felicidade segue os caminhos do consumismo desenfreado, da satisfação momentânea e da estética sem conteúdo. Tudo isso é fruto da nossa lógica de vida, a qual se resume em: vivemos para o nosso próprio e exclusivo bem. E assim, não percebemos que estamos nos distanciando daquilo que ansiosamente buscamos: a felicidade! Eis o nosso drama.

Foto: Divulgação

 

 

 

José Márcio Mantello é advogado criminalista na comarca de Araçatuba. Graduado em Direito pela UNITOLEDO; Pós-Graduação em Docência do Ensino Técnico e Superior pela UNITOLEDO;
Pós-Graduação em Prática Penal Avançada pelo DAMÁSIO EDUCACIONAL; Especialização em Execução Penal pelo IDPB – Rio de Janeiro
Atuação no Tribunal do Júri

Teólogo

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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