Opinião

A dramática e interminável busca pela felicidade (Parte Final)

"Consciente ou inconscientemente, nossa definição de felicidade está atrelada a dois pilares: vivenciar prazeres efêmeros e ausência de sofrimento (dor). Nada tão ilusório, artificial e egoísta!"

José Márcio Mantello
04/07/23 às 18h37

Longe de esgotar o tema, porém, finalizaremos nossa reflexão sobre a tal de felicidade. Abordamos até aqui que, nosso entendimento e nossa busca por ela, estão bastante equivocadas e distorcidas. Na verdade, há uma distância abissal entre o conceito que temos de felicidade, daquilo que realmente ela é ou da forma como se manifesta.

Consciente ou inconscientemente, nossa definição de felicidade está atrelada a dois pilares: vivenciar prazeres efêmeros e ausência de sofrimento (dor). Nada tão ilusório, artificial e egoísta! 

Fato é que, há uma alternativa totalmente paradoxal dessa que a maioria acredita. O encontro da verdadeira felicidade se dá na contramão de tudo aquilo que já nos foi passado ou até mesmo experimentado por alguns de nós. Porém, quando abandonarmos a obsessão de sermos felizes e passarmos a viver para coisas além de nós mesmos, talvez, seremos surpreendidos por ela batendo em nossa porta.

A felicidade chega como consequência natural de uma postura aberta, altruísta, voltada para fora, para o outro. Apenas quando transcendermos a prisão do EU e nos libertarmos da mentalidade rasa que adotamos acerca do seja a felicidade, é que, finalmente, conseguiremos desfrutá-la em seu sentido mais amplo e profundo.

Traduzindo, encontraremos a felicidade, justamente quando pararmos de buscá-la, ou seja, alcançaremos quando desistirmos da corrida frenética que nos foi imposta.

Sei que soa muito estranho esse raciocínio, até porque, como já anteriormente dito, crescemos sendo “doutrinados” de que temos que correr atrás da felicidade, usar de todos os meios (talvez até ilícitos) para conquistá-la; fazermos dela nosso alvo supremo de vida, etc.

Assim, quando descobrimos que, na verdade, o caminho é o oposto a tudo isso, só nos restará duas opções: crer e adotarmos esse estilo de vida ou acharmos um tremendo absurdo e continuarmos nossa busca inócua e interminável, tentando encontrá-la.

Se tivermos a coragem, sim, é necessário muita coragem para abraçarmos essa alternativa de vida e vivermos segundo essa nova perspectiva, creio que, no mínimo, seremos surpreendidos com os resultados.

Quero encerrar esse tema (longe de esgotá-lo), com a seguinte afirmação, talvez até muito presunçosa: A felicidade é o contentamento que surge do auto esquecimento, o ganho que vem através da perda, a satisfação e alegria que nasce da abnegação.

Felizes são aqueles que não se preocupam com a sua felicidade!

Foto: Divulgação

 

José Márcio Mantello é advogado criminalista na comarca de Araçatuba e Teólogo

Graduado em Direito pela UNITOLEDO; Pós-Graduação em Docência do Ensino Técnico e Superior pela UNITOLEDO; Pós-Graduação em Prática Penal Avançada pelo DAMÁSIO EDUCACIONAL; Especialização em Execução Penal pelo IDPB – Rio de Janeiro
Atuação no Tribunal do Júri

 

 

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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