Para produção de invenções, o homem sempre buscou inspiração em modelos orgânicos vivos, como o próprio corpo humano, uma “máquina” complexa e perfeita. O termo usado para isso é mimetismo. Além da observação e cópia das características físicas e sensoriais, como o funcionamento e características dos músculos, da dinâmica das articulações, do olfato e visão, por exemplo, o misterioso funcionamento do cérebro também é alvo constante de estudos.
Mas a profundidade das investigações que os cientistas chegaram vão bem mais fundo. Atualmente exploram o funcionamento e comportamento das células, sobre como elas obtêm, retêm e processam informações, para poderem pensar em soluções artificiais similares.
Agora, estão em andamento projetos para produção de chips biológicos, que são dispositivos que integram componentes biológicos com circuitos eletrônicos, permitindo a interação entre o mundo vivo e o digital. Eles são uma área de pesquisa promissora, mas embora estejam em estágio inicial de desenvolvimento, já é realidade.
No ano passado, cientistas da Monash University criaram o DishBrain - um chip de computador semibiológico com cerca de 800.000 células cerebrais humanas e de camundongos cultivadas em laboratório, aprendeu a jogar Pong em cinco minutos (Pong é um jogo eletrônico estilo bem rudimentar com temática de tênis de mesa, com gráficos bidimensionais, desenvolvido antigamente pela Atari).
Esta foi a primeira vez que células cerebrais cultivadas em laboratório foram usadas, recebendo não apenas uma maneira de sentir o mundo, mas também de agir sobre ele, e os resultados, segundo os cientistas, foram impressionantes. Isso mostra que os avanços no domínio dessa tecnologia híbrida caminham a passos largos, considerando o pouco tempo que esses estudos vêm sendo realizados (coisa de menos de 100 anos).
Alguns testes foram realizados em chips que usam células nervosas de ratos para controlar um robô, criando uma interface cérebro-máquina; em chips que usam células cardíacas de galinha para gerar energia elétrica, aproveitando as contrações do músculo cardíaco; em chips que usam bactérias modificadas geneticamente para detectar substâncias químicas no ambiente, funcionando como um biossensor e em chips que usam células-tronco para criar tecidos humanos artificiais, como pele, ossos e cartilagens.
As aplicações mercadológicas desses chips biológicos são variadas e dependem dos avanços tecnológicos e éticos da área. Algumas possibilidades futuras são no monitoramento da saúde das pessoas, como medidores de glicose, colesterol e hormônios; na melhoria do desempenho de robôs, drones e computadores; na criação de órgãos e tecidos humanos artificiais e também na exploração de novas formas de vida e de interação entre as espécies, como híbridos entre humanos e animais, ou entre animais e plantas.
Não se assuste, isso é apenas a decorrência da “combinatividade” das coisas disponíveis na natureza e manipuladas cientificamente pelo homem.
