Diariamente a imprensa cumpre seu papel de levar a informação à população e não é diferente com o Hojemais Araçatuba , que informa os fatos ocorridos na cidade e região. Entretanto, nesta semana um caso de grande repercussão está chamando a atenção, que é o possível pedido de recuperação judicial do Grupo DOK, que tem sede em Birigui, mas atua nacionalmente e no mercado exterior.
Na segunda-feira (16) a DASA Advogados, consultoria especializada contratada para fazer o diagnóstico da atual conjuntura da empresa, informou ao Hojemais Araçatuba que foi detectada uma dívida de cerca de R$ 400.000.000,00, distribuídos em aproximadamente 90 instituições financeiras, entre bancos e fundos de investimento em direitos creditórios.
A informação foi uma resposta a um questionamento feito na sexta-feira (13), quando a reportagem tomou conhecimento de que o Grupo DOK havia obtido uma liminar na Justiça de Birigui, suspendendo ações de execução movidas por escritórios de fundos de investimento que deixaram de receber por antecipações realizadas. Os valores cobrados na Justiça pelos credores, em quatro ações, já somavam mais de R$ 9 milhões.
Porém, após a publicação da matéria sobre o possível pedido de recuperação judicial, devido à dívida apurada, os escritórios que representam os credores pediram para se manifestar. E como é dever da imprensa, os dois lados devem ser ouvidos, sempre! Foi aí que surgiu a informação de que essa dívida seria fruto de possível fraude e de que já havia várias denúncias sendo feitas à polícia, antes mesmo do Grupo DOK entrar com o pedido de liminar para suspender as execuções, de supostas irregularidades praticadas pela empresa, o que teria resultado nessa dívida.
Foi também somente depois da publicação da matéria que o Hojemais Araçatuba tomou conhecimento de que a liminar concedida no dia 7 havia sido derrubada no dia 12, pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), o que não havia sido informado quando a solicitação foi respondida, no dia 16.
E a justificativa para solicitar a suspensão da liminar foi que para assinar um contrato de cessão de crédito de R$ 4,2 milhões, o grupo teria apresentado canhotos de notas frias, que foram identificados quando a empresa que seria a titular das notas informou tratar-se de duplicatas simuladas.
Ou seja, os fatos já eram conhecidos, porém, não haviam sido divulgados. E é aí que entra o papel da imprensa. O Hojemais Araçatuba não faz e nunca fará julgamento de atos ou ações, apenas relata fatos. Cabe às autoridades competentes tomar decisões e o conhecimento dos fatos é fundamental para que seja decidido da forma mais justa possível.
O que está em discussão no caso é o que será mais benéfico para todos: empresa, credores, fornecedores, funcionários, mercado e a comunidade em geral, já que uma decisão equivocada poderá trazer resultados muito negativos, principalmente para o próprio município de Birigui, que é beneficiado com a arrecadação do que é negociado pelo Grupo DOK.
O que percebe-se até o momento, pelas informações obtidas pelo Hojemais Araçatuba , é que as ações propostas pelos credores pedem que se apure os fatos, inclusive possível crime, antes de qualquer decisão, pois diante da experiência do mercado, pedidos de recuperação judicial para encobrir possíveis fraudes teriam ocorrido outras vezes e estariam sendo prática recorrente.
Nenhuma das partes ouvidas até agora se manifestou pelo fechamento das empresas do grupo. Pelo contrário, o que foi proposto até agora é a manutenção dos serviços, porém, encontrando um meio de garantir que as falhas ou eventuais fraudes, não se repitam. A própria DASA informou que uma das medidas adotas diante da descoberta do “rombo” foi o afastamento da antiga diretoria financeira e administração do grupo.
Um escritório que representa credores do Grupo DOK ingressou na Justiça de Birigui com um pedido de falência, porém, também deixou claro que o objetivo não é o fechamento das empresas, mas sim, garantir que seja indicada uma administração capaz de manter os negócios e tomar decisões que voltem a tornar a empresa viável, já que é interesse de todos receber por aquilo que foi contratado. E para isso, é preciso produzir e gerar renda.
Portanto, o Hojemais Araçatuba está apenas cumprindo o seu papel ao municiar de informações as autoridades, que é a quem cabe decidir. Aos representantes da empresa e representantes dos credores cabe fazer cada um o seu trabalho, que é convencer que o que estão propondo é a melhor solução para a maioria.
