Em tempos de pandemia, falar sobre isolamento social e solidão passou a ser frequente. Deparamo-nos com o grande vazio, caminhos para a tristeza, angústia, hostilidade, perda de interesse e prazer, que são considerados sintomas típicos de depressão.
Há poucas semanas, o mais comum nas rodas de amigos, nas mesas de restaurantes, em festas, reuniões de família, várias pessoas socialmente presentes, mas cada um vivendo em seu mundo virtual, olhares fixados nas telas dos smartphones.
Quantos de nós já estávamos em isolamento? Isolados a ponto de não nos darmos conta dos ruídos e cenários que preenchiam o vazio. Quantos de nós ficamos angustiados ao desfrutar da nossa própria companhia? Inquietos, buscando algo para não enfrentar os ruídos que vem de dentro.
E a necessidade de pertencimento e partilha do ser humano? É fato que atravessamos um momento de rupturas, portanto, é hora de rever nossos conceitos.
Podemos citar um velho clichê, mas cabe para a atualidade: “Cuide do seu jardim, as borboletas virão até você”. Busque pessoas que estejam dispostas a fazerem parte da sua história, estarem perto independente da distância, use o smartphone, faça chamada de vídeo, converse, fale, seja presente, se faça presente na sua própria vida.
Isolamento, ou distanciamento social, no momento não é obrigatório e sim recomendado, mas a solidão sempre foi e sempre será uma escolha. Dê uma chance para você e para aqueles que está dispostos a partilhar sentimentos, experiências e vida.
Acho que vale a pena trazer o que já dizia Schopenhauer: “Quem não ama a solidão, também não ama a liberdade; apenas quando se está só é que se está livre”. Cada um fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exata do valor da sua personalidade. Pois, na solidão, o indivíduo egoísta sentirá todo o seu egoísmo; o “grande espírito”, toda sua grandeza e assim por diante. Em poucas palavras, cada um sente o que é.
O que você está escolhendo?
Arquivo Pessoal
*Patrícia Rabelo de Morais (CRP 06/125210) é doutoranda em psicologia pela UCES de Buenos Aires e psicóloga clínica em terapia cognitivo comportamental
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