A PIA (Pesquisa Industrial Anual) divulgada no dia 6 de junho, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geográfica e Estatística), referente ao ano de 2018, trouxe uma preocupante constatação: a indústria brasileira vem encolhendo.
A conjuntura adversa de reduzido crescimento econômico acompanhada pelas dificuldades estruturais de economia tem provocado a desindustrialização do país. Dessa forma, a indústria nacional perdeu participação no PIB (Produto Interno Bruto) passando a representar apenas 11,3% da atividade econômica brasileira. É a menor participação em mais de 70 anos.
Os resultados da PIA confirmam o encolhimento do parque industrial em relação ao faturamento, número de empresas e pessoal ocupado. Em relação ao número de empresas, houve redução de 15.3 mil unidades produtivas entre 2014 e 2017. Porém, do ponto de vista social, o grande problema foi a redução no número de empregados que alcançou 1.1 milhão de postos de trabalho. Esse cenário macroeconômico traz também reflexos na região de Araçatuba.
Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério da Economia evidenciam o impacto regional. As principais cidades da região apresentaram resultados negativos na geração de empregos no setor industrial no mês de maio de 2019. As demissões superaram as contratações em 397 empregos.
Nota-se que a recuperação da dinâmica industrial brasileira é importante para a região em decorrência da representatividade do setor na estrutura produtiva local de alguns importantes municípios.
A partir da base de dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) de 2017 é possível visualizar o peso do setor industrial no mercado de trabalho local. O mais representativo é a cidade de Birigui, cujo setor industrial representa 44,3% dos empregos, em seguida está Guararapes com 32,7%, Penápolis com 30% e Andradina com 27,6%. Em Araçatuba o resultado é 15,2%.
Neste contexto, para que a indústria brasileira volte a ampliar sua participação na economia é necessário, com urgência, aprovar as reformas previdenciária e tributária, implementar medidas de política industrial e a indústria precisa modernizar-se para competir no cenário da “indústria 4.0” (4º Revolução Industrial).
*Marco Aurélio Barbosa de Souza é economista e administrador, mestre em economia pela Unesp de Araraquara e pesquisador da área de economia local/regional.