O leite materno é o melhor e mais completo alimento para os bebês até completarem o sexto mês de vida. A partir do sexto mês, deve-se iniciar a introdução alimentar, ou seja, a oferta de outros alimentos, além – é claro – do leite materno.
À mercê de inúmeras e diversas opiniões alheias, muitas mães e/ou responsáveis se colocam à beira do desespero. De uma maneira ou de outra, todo o mundo entende um pouco de criança a partir de experiências prévias. Contudo, o que a maioria das pessoas se esquecem, é de que cada criança é única.
Olhar para a criança reconhecendo-a como protagonista da sua própria história é fundamental para iniciar o processo de introdução alimentar. Assim, o adulto que participa desse momento com a criança precisa despir-se de suas amarras alimentares de maneira a se fazer neutro diante da escolha dos alimentos que serão ofertados à criança.
Dessa maneira, a oferta de alimentos destinados à criança deve partir do princípio da totalidade, ou seja, a partir da diversidade alimentar que encontramos na natureza. Com isso, ainda que o quiabo não seja um alimento pertencente à cultura alimentar do adulto, a criança – como ser social produtor de sua própria cultura – tem o direito de experimentar.
É necessário que a oferta aconteça de maneira individual, isto é, alimentos separados. Inicialmente, frutas e legumes cozidos ganham o formato de palitos para, então, serem ofertados. No início é muito comum que a criança mais brinque com o alimento em vez de come-lo. Tenha calma e lembre-se: a criança está aprendendo a comer.
Atente-se, ainda, para os sinais de recusa do alimento. Por meio disso, as crianças querem dizer que estão satisfeitas. É importante, neste momento, respeitá-las e não insistir.
Em suma, a introdução alimentar é um processo inerente à primeira infância e é de extrema importância no que diz respeito à construção dos hábitos alimentares do indivíduo.
Cada criança é um ser social e de direitos capaz de produzir cultura. E a cultura alimentar é uma delas. Assim, permita-se não impor sua própria cultura a elas. Dê asas para que as crianças construam suas próprias culturas. Só assim estaremos contribuindo para uma geração saudável, feliz e capaz de desdobrar seus próprios conflitos.