Opinião

Inovações no tratamento de Parkinson

"Estima-se que até 20% dos pacientes com Doença de Parkinson podem ser candidatos ao tratamento cirúrgico..."

Rodrigo Mendonça  - Hojemais Araçatuba 
15/07/19 às 12h27

Hoje, quero falar com vocês sobre a Doença de Parkinson, uma doença degenerativa do sistema nervoso central, incurável e progressiva, causando tremores, rigidez muscular e lentidão dos movimentos.

Nos últimos anos, muito se tem avançado no tratamento cirúrgico dessa doença, onde implantamos eletrodos profundamente em áreas específicas do cérebro do paciente, e um gerador de impulsos elétricos é colocado sob a pele do paciente na região do tórax, semelhante a um marca-passo cardíaco. Este procedimento é denominado Estimulação Cerebral Profunda (DBS na sigla em inglês), e também pode ser indicado em casos de tremor essencial grave, distonia e transtorno obsessivo compulsivo, dentre outras.

Muitos pacientes são elegíveis para o tratamento cirúrgico, devendo passar por uma avaliação detalhada com médico neurologista e neurocirurgião para a indicação do procedimento. Quando a qualidade de vida do paciente começa a ser comprometida, à despeito da otimização das medicações, devemos indicar uma avaliação para a cirurgia no paciente parkinsoniano.

Estima-se que até 20% dos pacientes com Doença de Parkinson podem ser candidatos ao tratamento cirúrgico, mas muitos pacientes acabam sendo encaminhados tardiamente para a avaliação cirúrgica, perdendo o benefício com a cirurgia. O paciente tem que ter pelo menos cinco anos de diagnóstico da Doença de Parkinson para ser considerado elegível para a cirurgia. Casos avançados infelizmente não se beneficiam da cirurgia.

Existem diversos pontos profundos no cérebro que deveram ser estimulados pelo eletrodo; os pontos são escolhidos de acordo com o tipo de sintoma predominante do paciente, seja tremor, rigidez ou lentidão de movimentos. Um programa de computador altamente avançado faz a fusão entre a ressonância magnética e a tomografia do paciente, e calcula a trajetória para que o cirurgião instale o eletrodo precisamente no núcleo desejado. Após a checagem da correta posição do eletrodo, conectamos o gerador com cabos que são passados desde a região do tórax até o crânio, passando por debaixo da pele do pescoço.

Se você tem o diagnóstico de Doença de Parkinson, ou tem algum caso da doença na família, procure seu neurologista para um encaminhamento em momento adequado para um neurocirurgião habilitado a realizar o procedimento.

 

Rodrigo Mendonça é neurocirurgião titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e coordenador do Serviço de Neurocirurgia da Santa Casa de Araçatuba.

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