Na terça-feira, 18 de outubro, comemorou-se o Dia do Médico, no dia de São Lucas, por ele ter sido médico e assistido Paulo (São Paulo) até os últimos momentos de sua vida. O evangelista é considerado o padroeiro dos médicos desde o século 15. Percebe-se que é uma profissão milenar, como a de professora.
Ainda há gente que tem uma visão mágica sobre o médico (ou médica), como se ele fosse um curandeiro. Isso levou alguns profissionais a se considerarem semideuses. Na verdade, o médico vive aprendendo com seus clientes, fazendo cursos continuamente nas universidades, tentando a cura, porque tem uma visão científica da doença.
A visão mágica vem lá dos primórdios, mas atualmente isso prejudica sobremaneira no jeito de encararmos a profissão. Se o médico cura o doente, foi Deus quem salvou; se o parente morreu, o médico foi um incompetente.
Tentando superar esta dicotomia entre a fé e a medicina, para não ser chamado de ateu, médicos mandam o paciente rezar e dizem: "Para Deus, nada é impossível".
Final do século 19 e início do 20, as coisas não eram tão pacíficas. O médico e o farmacêutico eram os ateus na cidade, e o padre era inimigo figadal. Hoje, fé e ciência andam em paz.
De todas as especialidades, tenho uma admiração especial pelo cirurgião, pois precisa ser hábil, exato, para não cometer erros. A perspectiva atual é que a medicina digital pode aliviar um pouco sua responsabilidade.
O cirurgião é um artífice, manipula com precisão o bisturi. Antigamente, essa especialidade não tinha valor porque as profissões que usavam as mãos não eram valorizadas.
Trabalhar no pesado, sujar a roupa no trabalho era coisa de escravo. Isso é que chamamos uma sociedade escravocrata e predomina com menor intensidade até hoje. Nos dias atuais, o cirurgião é o que mais ganha.
Escolher a profissão é também optar pela rotina de vida. Quem não sabe encarar a vida, e muito menos a morte, não admite que o médico não salve a vida de uma pessoa querida.
Na infância, o médico está ligado à prevenção, ao atendimento primário; na velhice, prorroga a nossa vida, procedimentos complexos. O idoso gasta seu tempo (e dinheiro) cuidando de si, enquanto o jovem acha que é imortal.
Abraços a todos os médicos, dos carrancudos aos amistosos; dos acolhedores àqueles que nem olham no rosto do paciente; do médico jovem que depende totalmente dos equipamentos ao médico experiente que diagnostica também com os olhos, com as mãos.
Um abraço bem apertado àqueles profissionais que se modernizam; quando o cliente tem condições, conversa com ele também pelo whatsapp e outros instrumentos de comunicação a distância: usa a telemedicina.
Ser médico é trabalhar com a esperança, enganar o desenganado. É o curandeiro dos tempos modernos.
*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor em Araçatuba (SP); é membro das academias de letras de Araçatuba, Andradina (SP) e Itaperuna (RJ)
