Opinião

O crime segundo a psicanálise

"Uma das análises psicanalíticas possíveis diz que o crime pode ser resultado de um enfraquecimento do 'superego', haja vista que o indivíduo opta por atender aos anseios do seu 'id', em detrimento das regras de convívio social"

Marcelo Yukio Misaka
19/11/22 às 09h17

Os estudos sobre psicanálise fornecem ricos conhecimentos para a análise do comportamento humano e, como não poderia deixar de ser, do crime. Pois esse nada mais é do que uma espécie de comportamento humano. 

A partir de Sigmund Freud e suas pesquisas, surgiram várias abordagens a respeito do fenômeno crime, sendo que uma delas tem relação com a sua descoberta a respeito do “inconsciente” e das instâncias do “id”, “ego” e “superego”

A psicanálise é um estudo extremamente complexo e há evidente risco ao tentar resumi-la em um artigo de opinião. Assim, recortarei o estudo e o simplificarei apenas para atingir o objetivo de informar, mas com a advertência de que a análise técnica de um caso é, evidente, muito mais profunda e obrigatoriamente só pode ser realizada por um profissional habilitado. 

O “id”, segundo Freud, é o instituto do ser humano que norteia as condutas em busca de prazer, desejos e satisfações. De outro lado, o “superego” é a instância ligada à internalização das regras sociais de convivência, à repressão dos desejos do “id” .

Num sentido figurativo, o “id” seria aquele “diabinho” que sussurra em nossos ouvidos ao passo que o “superego” seria o “anjinho” que nos aconselha. Por sua vez o “ego” é aquela instância derivada do “id” que o conecta com o mundo real e é o responsável por fazer as escolhas entre atender às vontades do “id” ou do “superego”

Com efeito, uma das análises psicanalíticas possíveis diz que o crime pode ser resultado de um enfraquecimento do “superego”, haja vista que o indivíduo opta por atender aos anseios do seu “id”, em detrimento das regras de convívio social.

Todavia, não se pode ignorar que o “inconsciente” para Freud é como uma espécie de caixa-preta na qual se armazenam diversas informações, sentimentos, etc que estão inacessíveis ao nosso “consciente” , mas que certamente guiam as nossas escolhas.

Então, a repressão exacerbada do “id” pelo “superego” também pode desembocar em neuroses armazenadas no “inconsciente”, que depois pautarão nossas condutas.  

Foto: Divulgação/Arquivo

 

 

 

Marcelo Yukio Misaka é juiz de Direito, Doutorando em Direito UENP/PR e professor universitário

 

 

 

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veiculo de comunicação

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