Opinião

O que esperar do agro em 2023

"Por outro lado, a previsão é que haja aumento das importações mundiais dos principais produtos exportados pelo Brasil, embora a taxas inferiores às registradas nos anos anteriores"

Thomas Rocco*
27/12/22 às 20h30

Este foi um ano de altos e baixos e também de obstáculos consideráveis para o agronegócio brasileiro. Destaque-se a forte alta dos custos com insumos no setor agropecuário, principalmente pela elevação dos preços de defensivos e fertilizantes. Também contribuíram para pressionar para baixo o PIB (Produto Interno Bruto) do agro as reduções de produção em atividades importantes, como soja e cana-de-açúcar.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) prevê alta dos custos de produção do agronegócio em 2023. Para a entidade, o próximo ano será de desafios, tanto no ambiente interno quanto no cenário externo, sendo que  deve variar de estabilidade a um crescimento de até 2,5% para o PIB do agronegócio, em relação a 2022. Segundo a CNA, isso se deve aos elevados custos de produção, que tendem a permanecer no próximo ano, e da tendência de queda nos preços internacionais das commodities agrícolas.

A estimativa para a safra de grãos 2022/2023 é de um aumento de 15,5% (ou 42 milhões de toneladas) em relação à safra 2021/2022, atingindo 313 milhões de toneladas. Esse crescimento é reflexo da elevação na área plantada, estimado em 76,8 milhões de hectares (ha) na safra atual. Apenas na cultura da soja, a área pode chegar a 43,2 milhões de ha, superando em 4% o ciclo anterior.

Compartilho da mesma opinião da entidade setorial ao afirmar que, apesar dos problemas, 2023 tem boas perspectivas para que o Brasil continue aumentando a sua participação nas vendas agrícolas externas. A expectativa é que globalmente o comércio internacional de bens deve desacelerar, com previsão de aumento de apenas 1% no volume transacionado, abaixo dos 3,4% esperados para este ano, segundo dados da Organização Mundial de Comércio (OMC).

A explicação é o crescimento mais lento das importações da China, a retomada econômica mundial em função da pandemia de covid-19 e o conflito entre Rússia e Ucrânia e os seus impactos - aumento preço insumos, crise energética, redução da oferta de grãos.

Por outro lado, a previsão é que haja aumento das importações mundiais dos principais produtos exportados pelo Brasil, embora a taxas inferiores às registradas nos anos anteriores. O consumo mundial de soja deve aumentar 1% em 2023, concentrado nos países em desenvolvimento, que devem responder por 74% desse consumo no ano que vem.

Do ponto de vista da política nacional, esperamos que o futuro ministro da agricultura seja alguém verdadeiramente engajado com o campo (preferencialmente um produtor rural), que não sejam feitas mudanças abruptas, ainda mais se forem prejudiciais à cadeia produtiva, que haja mais estabilidade jurídica,  uma condução responsável da política fiscal, menos impostos, defesa os interesses do produtor rural no exterior, para evitar a imposição de barreiras comerciais injustificadas e a taxação das exportações, segurança no campo, sendo tudo norteado pela sustentabilidade.

Em todas as suas esferas, especialmente na federal, os governos precisam atender às demandas dos produtores rurais, cooperativas, associações, entidades classistas de forma geral e empresas do agro. Por fim, é fundamental entendermos que, independentemente de posicionamentos políticos, o agro brasileiro tem que ser valorizado e protegido pelo bem do Brasil e do mundo, que depende do que plantamos e criamos para se alimentar.

 

(Foto: Divulgação)

Thomas Rocco é produtor rural e presidente do Siran

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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