Opinião

Por que música em 2020?

"Porque, assim como todas as artes, a música é, e sempre será resistência"

Eduardo Martinez
23/12/19 às 11h00

“Com fim do Ministério da Cultura, criação de secretaria divide classe artística”. “A cultura tem que estar de acordo com a maioria da população, não a minoria”. “Respeitando a aplicabilidade do dinheiro público, determinamos a revisão dos contratos vigentes e possibilidades futuras da Petrobras ligados ao setor que alguns dizem ser de cultura. A ordem é saber o que fazem com bilhões da população brasileira.”

“‘Negro de direita, contrário ao vitimismo e ao politicamente correto’, como ele se define em seu perfil nas redes sociais, é o novo presidente da Fundação Palmares, órgão responsável por promover a cultura de matriz africana”. “O ex-diretor de artes cênicas da Funarte, dramaturgo Roberto Alvim, nomeado para comando da Secretaria de Cultura, ganhou simpatia do presidente ao ter ofendido a atriz Fernanda Montenegro”.

“Um levantamento indicou que, do orçamento geral da gestão, menos de um 1% foi direcionado às políticas culturais, o que gerou críticas entre produtores, curadores e artistas”. “Incentivos permanecerão, mas para artistas que estão iniciando suas carreiras. O que acabará são os milhões do dinheiro público financiando ‘famosos’ sob falso argumento de incentivo cultural”

“Entre as mudanças previstas (no Sistema S) está o fim de patrocínios que nada tenham a ver com a formação e capacitação de trabalhadores”. “O teto (da Lei Rouanet) hoje é de R$ 60 milhões. Estamos passando para R$ 1 milhão, tem gente do setor artístico que está revoltada e quer algumas exceções”. “O Programa Petrobras Cultural será amplamente revisto e vai priorizar a educação infantil e a Orquestra Petrobras. Outros setores como teatro, cinema e música, deverão sofrer grande impacto com as novas medidas. O fim do patrocínio da Caixa pode inviabilizar o funcionamento do Cine Belas Artes”.

“O projeto de lei apresentado ao Poder Legislativo prevê, em 2020, um corte de quase 43% do orçamento do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual), para R$ 415,3 milhões. É a menor dotação nominal para o fundo desde 2012, quando ele recebeu R$ 112,36 milhões”. “(João Gilberto era) Uma pessoa conhecida. Nossos sentimentos à família, tá ok?”

Porque, assim como todas as artes, a música é, e sempre será resistência.

Foto: Flávia Baxhix

*Eduardo Martinez é jornalista, editor de imagens e músico. Aficionado por música, entusiasta de novidades e defensor da ideia: quem fala que não se faz mais música boa no Brasil, não procurou direito

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