Polícia

Babá de 19 anos é presa por participação em assassinato de jovem

Dona de depósito de bebidas teria encomendado o assassinato de Nathan Felipe Bernardes Machado para vingar o pai dela; ela está foragida

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
11/12/21 às 12h05

A Polícia Civil de Araçatuba (SP) prendeu uma babá de 19 anos, moradora no bairro Nossa Senhora Aparecida, investigada pela participação no assassinato de Nathan Felipe Bernardes Machado, 19, crime ocorrido em fevereiro deste ano no bairro Castelo Branco, conhecido como 600 Casas. Ela é filha de um dos acusados de terem atirado na vítima.

A Justiça também decretou a prisão da dona de um depósito de bebidas, uma mulher de 35 anos, moradora no bairro Centenário, acusada de ser a mandante do crime, que teria sido praticado por dois “matadores de aluguel” . Eles foram presos em novembro, em Penápolis, por extorsão, e um deles confessou à polícia ter recebido R$ 5 mil pelo assassinato.

A suposta mandante do crime não havia sido encontrada até a tarde de sexta-feira (10) e é considerada foragida. Ela teria encomendado a morte de Nathan para vingar o pai dela, o funileiro Olair de Souza Carvalho, 56, assassinado a tiros em outubro de 2018.

O pai de Nathan, o auxiliar de mecânico Cleber Anderson Machado, 40, está preso e irá a julgamento por homicídio qualificado denunciado por esse crime.

Assassinato

No dia em que foi assassinado, Nathan caminhava pelo bairro Castelo Branco e disse que o autor do crime teria descido de um GM Astra. Ele teria reconhecido, por meio de foto, um jovem com 18 anos como sendo o atirador.

No local dos disparos foram apreendidas dez cápsulas de pistola calibre 380, quatro projéteis e um celular com vestígios de sangue e danificado. Na mesma noite o suspeito reconhecido por ele foi ao plantão policial, entregou o celular, que foi apreendido para perícia. Ele foi submetido coleta de material para exame residuográfico e liberado.

Matadores

Um inquérito foi instaurado pela DH/Deic (Delegacia de Homicídios da Divisão Especializada de Investigações Criminais) para investigar o caso e a polícia teve acesso a imagens do local do crime, que mostraram que o carro usado pelos autores seria um Honda e não um GM Astra.

Ainda durante as investigações houve denúncia que o autor do homicídio seria o técnico em refrigeração Carlos Augusto Rodrigues do Prado, 41 anos, que foi preso em flagrante pela Polícia Civil em 2 de julho, durante cumprimento a mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça.

Na casa dele, no residencial Atlântico, foi apreendida uma pistola calibre 380 carregada com 16 munições no carregador e uma na agulha. Também foram recolhidos dois celulares, um notebook e R$ 18 mil em dinheiro.

Em depoimento ele confessou ter matado Nathan, com a ajuda de um comparsa, o qual não quis identificar. O motivo seria uma briga de trânsito, na versão dele. Prado alegou ainda que o dinheiro apreendido com ele seria referente à venda de um Toyota Corolla, negociação que não foi confirmada pela polícia.

Extorsão

Como não havia mandado de prisão pelo homicídio, em audiência de custódia o investigado obteve a liberdade provisória pelo crime de posse irregular de arma de fogo, mas voltou a ser preso em Penápolis, no último dia 25, acusado de extorsão. Ele e um homem de 31 anos, morador no bairro São José, foram flagrados agredindo um empresário de 42 anos, morador em Birigui.

Na ocasião, a Justiça de Araçatuba já havia decretado a prisão preventiva de Prado, pois exame balístico confirmou que parte dos projéteis que mataram Nathan foram disparados pela pistola apreendida com ele, que permaneceu preso.

Contratado

O outro acusado de extorsão já era investigado por homicídio e a polícia realizou diligências para apurar se ele seria o coautor do assassinato do jovem, já que tinha as mesmas características de um dos autores do crime.

A polícia conseguiu localizar uma testemunha, que confirmou que os dois investigados trabalhavam como matadores de aluguel e revelou que a morte de Nathan havia sido encomendada pela dona do depósito de bebidas.

O homem de 31 anos foi interrogado por equipe da DH e confessou ter matado o jovem a tiros na companhia de Prado. Ele confirmou que os dois haviam sido contratados pela investigada e que havia recebido R$ 5 mil pelo crime.

Babá

A babá que foi presa pela polícia na quinta-feira é filha de Prado. Ela havia sido ouvida pela polícia na condição de testemunha, pois esteve com a vítima na noite do crime. Entretanto, a investigação apontou que na verdade ela teria participado diretamente do assassinato, levando a vítima para o local do homicídio.

A DH/Deic representou pela prisão temporária dela, do coautor do crime da dona do depósito de bebidas. O Ministério Público concordou com o pedido e as prisões dos três foram decretadas pela Justiça.

A babá foi presa por volta das 15h, na casa dela, na rua Birigui, e encaminhada ao CDP (Centro de Detenção Provisória) de Tupi Paulista. O celular dela foi apreendido para perícia.

O outro acusado de participação no assassinato permanecia preso pela acusação de extorsão e a suspeita de ser mandante não foi localizada.

Acusado de matar funileiro vai a Júri em fevereiro

Está marcado para fevereiro do próximo ano, o julgamento pelo Tribunal do Júri de Araçatuba (SP) do auxiliar de mecânico Cléber Anderson Machado, 40 anos, denunciado pelo assassinato do funileiro Olair de Souza Carvalho, 56. O homicídio aconteceu em 9 de outubro de 2018, na frente da casa da vítima, na Vila Alba.

O réu é pai de Nathan Felipe Bernardes Machado, 19, morto em fevereiro deste ano no bairro Castelo Branco, também conhecido como 600 Casas. Cléber, que foi preso em agosto do ano passado, também é acusado de coação no curso do processo, por ameaçar a filha de Olair.

Consta na denúncia do Ministério Público que o crime ocorreu na rua Antônio dos Santos Ribeiro. A filha do funileiro, que é suspeita de ter encomendado a morte de Nathan, estava dentro da casa do pai dela quando ouviu disparos na frente do imóvel.

Ela disse à polícia que viu um veículo deixar o local em alta velocidade e encontrou o pai caído no meio da rua, ferido na cabeça e no peito. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu.

Vingança

Ainda de acordo com a denúncia apresentada pelo promotor de Justiça Adelmo Pinho, Nathan e a namorada dele seriam amigos da neta de Olair, com a qual teriam se desentendido dias antes do homicídio.

Ao saber que a neta dele havia sido agredida, o funileiro teria agredido Nathan e a namorada dele, por isso o pai do jovem teria decidido matá-lo. Ele armou-se com um revólver calibre 32 e foi com um GM Astra, trazendo o Nathan como passageiro. Eles encontraram Olair na frente da casa dele e os disparos foram feitos após o réu chamar a vítima, que se aproximou do veículo e foi baleada.

Ameaça

Durante o inquérito Cléber teria mandado uma mensagem via WhatsApp para a filha de Olair, que é testemunha no processo, ameaçando matá-la caso não alterasse o depoimento.

O promotor representou pela prisão preventiva do réu, que foi concedida pelo juiz da 3.ª Vara Criminal, Emerson Sumariva Júnior, e cumprida em 28 de agosto do ano passado.

Ele foi denunciado por homicídio qualificado pelo recurso que dificultou a defesa da vítima e permanece preso. O julgamento está previsto para começar às 13h de 23 de fevereiro de 2022, no Fórum de Araçatuba.

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