Setembro é inicio da primavera, talvez a estação mais encantadora do ano, embora nem tudo na vida sejam flores. Na minha primavera de 2025 teve tempestades nos primeiros 30 dias. Em 12 de setembro, uma sexta-feira, foi o desencarne de Sirlei Nogueira. Quinze dias depois, em 26 de setembro, uma sexta-feira, Carlos Alberto Tilim nos tornou saudoso de seu talento jornalístico. Passados 15 dias, 10 de outubro, sexta-feira, José Francisco Coqueiro foi se juntar a eles.
Desconheço os critérios que fazem uns partirem antes e outros depois. Também desconheço porque construtores de boas obras deixam o trabalho pela metade, enquanto outros correm o mundo soprando veneno no ar em malsão que parece não ter fim. Mistérios são mistérios, para crédulos e incrédulos. Para o primeiro grupo, os acontecimentos precisam acontecer e ponto. Já os incrédulos, se coçam e recoçam até sangrar.
A sequência caprichosa dos acontecimentos faz com que os critérios, repito, se tornem cada vez mais incompreensíveis para mim. Sirlei, Tilim e Coqueiro tinham praticamente a mesma idade e mereciam viver mais. De sangue bom e de coração imenso, morreram de causas parecidas: AVC e infarto. De quinze em quinze dias. Todos na sexta-feira, dia nacional da cerveja.
Conheci Sirlei nos círculos jornalísticos, embora nunca tenhamos trabalhado juntos. Quando nos encontrávamos, a alegria era mútua. Eu o tratava de Sissi e ele me chamava de Totó, o que nos renderam muitas brincadeiras maliciosas por parte de terceiros. Falei com ele sobre patrocínios culturais um ano antes de sua morte.
Com Tilim, trabalhei quatro anos na mesma redação, lado a lado. Éramos dois malas sem alças. Nas segundas-feiras, eu debochava do Palmeiras dele ou ele cornetava o meu Corinthians. A última vez que nos vimos foi numa partida de futebol minicampo, no longínquo 2017, quando tive a oportunidade de fotografá-lo empunhando uma latinha de cerveja sem álcool, pois se recuperava do primeiro AVC.
Conheci Coqueiro nos primeiros anos de escola, morávamos no mesmo bairro. Nos perdemos de vista por algum tempo, mas não o suficiente para que esquecêssemos um do outro. Chegamos a trocar delicados insultos por causa de política, mas na boa. A última vez que nos falamos, foi no funeral de um amigo comum, na mesma capela em que ele seria velado um ano depois.
De Sirlei, guardo a imagem do altruísta. De Tilim, a dedicação jornalística ao futebol amador. De Coqueiro, o servidor-operário devotado ao esporte local, à cidade e aos amigos. De resto, coço, recoço e sangro.
