Polícia

Condenado por integrar quadrilha de assalto a bancos é beneficiado pela saidinha, não volta e é preso

Cumpre pena de 11 anos e 6 meses de prisão e deveria ter voltado para o presídio no último dia 3, mas não retornou; um dos assaltos aconteceu em 2011 em Avanhandava

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
08/01/22 às 19h19

A Polícia Militar Rodoviária prendeu na noite de sexta-feira (7), Júlio César Murça de Oliveira, 33 anos, condenado a 11 anos e 6 meses de prisão por tráfico de drogas e por integrar uma organização criminosa especializada em assalto a bancos e condomínios em São Paulo.

A quadrilha também foi responsável por um assalto a uma agência bancária e a uma base da Polícia Militar em Avanhandava, em 2011, quando foram roubados R$ 130 mil em dinheiro, e planejava assaltar um banco em Promissão na época.

O mandado de prisão contra Oliveira foi expedido em 2016, ele cumpria pena no regime semiaberto e no final do ano passado foi beneficiado pela saída temporária. Porém, não retornou para o presídio no prazo determinado.

Capturado

A prisão aconteceu pouco antes das 21h, na via de acesso Sargento Arnaldo Covolan, em Penápolis. Segundo a polícia, o sentenciado era passageiro do carro conduzido pela companheira dele e durante a fiscalização de rotina, os policiais pediram a documentação pessoal dele.

Em consulta ao sistema, foi constatado que Oliveira havia deixado a prisão no dia 23 de dezembro de 2021 e deveria retornar em 3 de janeiro, o que não fez.

Tráfico

Apesar de integrar a quadrilha responsável pelo assalto ao banco em Avanhandava em 2011, Oliveira foi condenado por organização criminosa, tráfico de drogas e associação ao tráfico. Consta em julgamento de recurso do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) em agosto de 2016, que ele participava da organização criminosa transportando drogas para o grupo.

“Júlio César não tem participação nenhuma no roubo em Avanhandava, mas tinha função de transportar entorpecentes. Inclusive em uma ocasião ele foi até São Paulo buscar cocaína. Pelas interceptações, seriam 5 ou 6 quilos de cocaína, só que não conseguiram fazer a apreensão desse entorpecente”, consta no relatório do recurso.

Inteligência

Ao todo, 21 integrantes da quadrilha foram identificados em investigação realizada pela Delegacia Seccional de Araçatuba, com apoio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público, durante investigação do assalto ao banco e à base da PM em Avanhandava.

Os crimes aconteceram na manhã de 7 de janeiro de 2011, quando os policiais militares foram rendidos por dois assaltantes e tiveram duas pistolas roubadas. Um deles foi agredido e chegou a desmaiar.

Banco

Outra parte da quadrilha invadiu o banco, que teve uma lateral de vidro estourada com um golpe de marreta dado por um dos integrantes, para evitar que passassem pela porta giratória.

Armados, eles renderam clientes e funcionários, R$ 130 mil em dinheiro, a arma e o colete do segurança do banco e pertences dos clientes. Os ladrões do banco fugiram em um GM Tracker que posteriormente a polícia identificou como sendo um veículo roubado em São Paulo.

O carro teria sido disponibilizado por dois dos réus que em troca, receberam as armas roubadas dos policiais. Elas foram apreendidas pela Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), em São Paulo, no decorrer das investigações.

Mentor

A polícia apurou ainda que o assalto havia sido planejado pelo então secretário municipal de Transportes de Avanhandava, que pelo cargo que ocupava tinha amizade com os gerentes da agência bancária, possuía tratamento preferencial, incluindo livre acesso, mesmo fora do horário de expediente.

De acordo com a denúncia, ele teria passado as informações sobre o funcionamento da agência o montante que poderia ser roubado aos demais integrantes da quadrilha. Parte do bando teria chegado na cidade no dia anterior e passado a noite na casa de um subordinado no secretário de Transportes.

Por não ter voltado ao presídio na data determinada, Oliveira retornará ao regime fechado.

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