Silvio Luís Jesus Souza, 41 anos, foi morto a tiros na noite de sábado (18) na frente da casa dele, no residencial Águas Claras, em Araçatuba (SP). Condenado a mais de 12 anos de prisão por roubo, ele foi beneficiado pela saída temporária e estava sentado na frente de casa quando foi atacado por dois homens com disparos de arma de fogo e morreu no local.
Segundo a polícia, o crime aconteceu por volta das 19h30, na rua José Maurício de Souza. Policiais militares que atenderam a ocorrência relataram que após serem comunicados de um homicídio foram ao local, onde também esteve uma equipe do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que confirmou a morte da vítima.
O corpo foi encontrado em uma cadeira de área, ao lado de outras duas cadeiras. Em uma delas estaca sentado um jovem de 25 anos, que é vizinho de Souza.
Ele contou que conheceu o vizinho havia alguns dias, quando ele deixou a prisão beneficiado pela saída temporária. Segundo a testemunha, enquanto estavam sentados, eles foram surpreendidos por dois desconhecidos encapuzados.
A dupla chegou caminhando pela rua Luís Grenge e sem dizer nada, passou a atirar na vítima que estava sentada de costas para a rua. Foram feitos ao menos quatro disparos, sem chance de reação.
O vizinho disse à polícia que correu, mas não foi alvo da ação dos atiradores, que fugiram pelo mesmo caminho que chegaram.
Choque
Segundo a polícia, a companheira de Souza, uma faxineira de 41 anos, também estava sentada em uma cadeira na calçada próxima a ele quando ocorreu o assassinato. Ela estava muito abalada, em estado de choque, e não foi possível ouvi-la no momento.
Policiais civis que estiveram no local entrevistaram a companheira do vizinho da vítima. Ela contou que estava na cozinha preparando uma porção para eles quando ouviu os disparos. Ao sair, viu um "clarão" e escutou mais alguns disparos efetuados por um desconhecido com o rosto encapuzado.
Segundo a testemunha, esse homem ameaçou entrar na residência, mas ao ver que havia mais pessoas no imóvel, desistiu e deixou o local.
Perícia
Equipe da DH/Deic (Delegacia de Homicídios da Divisão Especializada de Investigações Criminais) acompanhou a perícia, que recolheu uma cápsula de pistola calibre 380.
Análise preliminar apontou duas perfurações por disparos de arma de fogo na vítima, uma no lado direito da cabeça e outra de saída, na nuca. Ao término do trabalho o corpo foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) para exame necroscópico.
Condenado
Souza cumpria pena de 12 anos, 11 meses e 21 dias de prisão por participação em um assalto ocorrido em 2015. Na ocasião, na companhia de outros três homens, dois deles também condenados, foram roubados um GM Corsa Sedan e demais objetos de um entregador.
A vítima foi rendida por dois homens com facas quando chegava em casa para descarregar o veículo. A dupla entrou no imóvel com o morador e também rendeu um sobrinho dele, que foi acordado com um chute no rosto. Ambos foram amarrados e amordaçados com lençóis e fitas adesivas.
Antes de fugir, um dos ladrões ainda teria mandado o outro matar as vítimas, mas o comparsa não atendeu. Os bandidos deixaram o local em um VW Gol que foi encontrado em seguida com Souza, que segundo a denúncia, os aguardava do lado de fora da residência. O carro da vítima também foi encontrado abandonado horas depois.
Após a instauração do inquérito, a Polícia Civil, por meio do delegado Paulo Natal, representou pelo mandado de busca e apreensão para a casa de Souza, onde foi encontrado o Gol, camisetas roubadas da vítima, fitas adesivas e um revólver calibre 38.
No celular dele havia uma mensagem enviada por um dos participantes, relacionada ao roubo.
Tentativa de homicídio
Souza também respondeu processo por tentativa de homicídio, acusado de tentar matar a companheira, em 2011. Na ocasião ele morava no bairro Planalto, tinha 30 anos e a vítima 43.
A mulher havia pedido a separação, ele não teria concordado e teria apontado uma arma contra ela, mas ao atirar, ela falhou. A vítima foi jogada na cama e passou a ser agredida com coronhadas na cabeça, socos e pontapés.
Ela conseguiu fugir durante as agressões e Souza deixou o local de moto. Ele foi preso ao retornar e alegou ter agredido a vítima com um copo, negando a propriedade da arma de fogo, que não foi localizada. Esse processo foi arquivado.
