O candidato à Presidência da República do Brasil nas eleições do próximo domingo (4), Augusto Cury (Avante), anunciou que fará um ato de manifestação contra a interferência no processo eleitoral e demais acontecimentos recentes do cenário político brasileiro.
Segundo nota divulgada pela assessoria, ele estará às 12h em frente ao STF (Supremo Tribunal Federal), na Praça dos Três Poderes em Brasília (DF).
“Eu, Dr. Augusto Cury, candidato à presidência da República, diante dos últimos acontecimentos envolvendo o TSE e o STF, que indiretamente comprometeram a liberdade de expressão, deixo de comemorar meu aniversário com minha família e me dirijo a Brasília, de onde farei um protesto na frente do STF, revelando minha indignação e demonstrando que a democracia brasileira está morrendo” , informa a nota.
Segue abaixo, carta aberta divulgada por Augusto Cury :
Carta aberta ao Presidente do Supremo Tribunal Federal
Excelentíssimo Senhor Ministro Edson Fachin, Presidente do Supremo Tribunal Federal,
Escrevo movido por grande preocupação com o Brasil e com o futuro da nossa democracia. Esta é uma manifestação pacífica de profunda indignação, não contra as instituições, mas em defesa delas. Respeitamos os Três Poderes e, exatamente por isso, suplicamos por equilíbrio, autocontenção e respeito à soberania do povo brasileiro.
O debate é o oxigênio da democracia. Ele traz luz às decisões, pensamento crítico ao eleitor, coragem aos desanimados e informação sobre propostas e projetos. Meus dois principais adversários não compareceram. Lula optou por não participar do debate e apareceu em um podcast naquela noite. Flávio Bolsonaro também se retirou. Quem perdeu não fui eu. Quem perdeu foi o eleitor.
Minha preocupação, porém, não se limita a uma noite. Durante esta campanha, manifestei preocupação com mudanças abruptas no alcance das redes sociais. Não afirmo que houve sabotagem deliberada, mas reafirmo que suspeitas sérias em uma eleição não podem ser ignoradas. Algoritmos não podem substituir o eleitor.
Também é fato que o ministro Flávio Dino pediu vista no caso relativo ao relatório da Polícia Federal sobre temas graves envolvendo o celular de Vorcaro, suspendendo a análise naquele momento. O pedido de vista é um instrumento legítimo. Mas, tão perto de uma eleição presidencial, decisões institucionais sensíveis precisam ser cercadas da máxima transparência.
Outro episódio precisa ser conhecido pelo eleitor. Em 17 de setembro, a dezessete dias do primeiro turno, foi anunciado um reajuste de 15,04% no Bolsa Família, elevando o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691. O governo afirmou tratar-se de reposição da inflação. Críticos, inclusive eu, questionaram o momento. Combater a pobreza é obrigação permanente. Mas medidas sociais na reta final da eleição precisam ser transparentes, para que o cidadão possa julgar seus efeitos. Não se trata de retirar direitos, mas de assegurar que a dor dos vulneráveis nunca seja usada como instrumento de poder.
E agora vêm as decisões do TSE e do STF que interferem na liberdade de expressão em relação ao último debate. Segundo o Instituto Eurasia, apenas 40% dos eleitores sabem que sou candidato à Presidência da República. O debate seria imprescindível para que mais pessoas conhecessem minhas ideias e meu projeto de Estado e pudessem decidir em quem votar no dia 4 de outubro.
Enquanto discutimos a fragmentação da democracia, o Brasil real sofre. Em agosto, 82% das famílias estavam endividadas. O dinheiro não garante a felicidade, mas a angústia financeira adoece mentes e lares. Precisamos de uma saúde mais eficiente, de uma educação que forme seres humanos, e não apenas profissionais, de uma segurança que proteja todas as vidas e de um país que não adoeça a sua juventude.
Não peço que o povo concorde comigo. Peço que tenha o direito de me ouvir, conhecer minhas propostas e decidir livremente. Não quero governar a esquerda contra a direita, nem a direita contra a esquerda. Esquerda e direita não precisam ser inimigas. A beleza da democracia está na divergência e no contraditório. Não peço privilégios como candidato. Peço direitos para o eleitor.
No dia 4 de outubro, milhões de brasileiros irão às urnas. Não decidirão apenas quem ocupará um cargo. Decidirão o futuro de suas famílias. Por isso, esta carta é um protesto, mas é também uma súplica pacífica: que os Poderes sejam harmônicos, que a liberdade de expressão seja preservada e que o povo brasileiro chegue às urnas com informação suficiente para decidir.
Sem informação, não há escolha consciente. Sem debate, falta oxigênio à democracia. Não deixemos a democracia morrer por falta de oxigênio.
Respeitosamente, Augusto Cury Brasília, 2 de outubro de 2026.
P.S.: Estou avaliando acionar a Corte Interamericana de Direitos Humanos para relatar minhas preocupações em relação à democracia brasileira. Hoje é o dia do meu aniversário, mas pouco há para comemorar se o processo democrático está morrendo.
