A Polícia Civil de Araçatuba (SP) conseguiu localizar e apreender uma caminhonete Dodge RAM ano 2020, que pertenceria ao médico anestesista Cleudson Garcia Montali, preso em setembro do ano passado, acusado de liderar um esquema de desvio de dinheiro público na área da Saúde por meio de OSSs (Organizações Sociais de Saúde).
O veículo, avaliado em R$ 350 mil, era alvo de mandado de busca e apreensão para ser cumprido durante a Operação Raio X, porém, não foi localizado na ocasião.
O
Hojemais Araçatuba
apurou que essa caminhonete está incluída em inquérito que apura possível crime de lavagem de dinheiro e que durante a investigação, a Polícia Civil descobriu que ela havia sido enviada para a Bolívia.
Durante o inquérito, equipes da Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) conseguiram rastrear o veículo, que foi encontrado em Campo Grande (MS).
A Dodge RAM, que está com 10 mil quilômetros rodados, foi apreendida no último dia 19, mas chegou em Araçatuba apenas na noite de sexta-feira (26), trazida por equipe do GOE (Grupo de Operações Especiais).
Advogado
De acordo com o que foi apurado pela reportagem, a Polícia Civil cumpriu o mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça em 29 de setembro, mas naquele dia não encontrou a caminhonete nos endereços que haviam sido levantados.
A investigação teve sequência e a polícia apurou que essa caminhonete estava em um lavajato em Birigui. Porém, um dia depois da operação ser deflagrada, o filho de um dos réus foi até esse levajato e pegou o veículo.
A ordem teria partido do advogado que esteve com Cleudson em uma padaria de Araçatuba um dia antes da prisão dele, em um hotel no município de Pardinho, à beira da rodovia Marechal Rondon (SP-300).
Esse mesmo advogado teria contratado uma pessoa para levar a caminhonete para a Bolívia, onde ela teria sido envolvida com o tráfico de drogas, mas depois voltou para o Brasil.
Negociada
Foi constatado que inicialmente a Dodge RAM foi oferecida a venda em Corumbá (MT), quando estava registrada em nome de uma mulher residente no Pará, onde as OSSs (Organizações Sociais de Saúde) ligadas a Cleudson tinham contratos com o governo do Estado.
Na ocasião, a polícia teve acesso a cópia dos documentos da caminhonete e constatou que o reconhecimento de firma do recibo de compra e venda tinha o selo de um Cartório de Notas de Birigui.
Os investigadores estiveram nesse cartório e o responsável afirmou que o reconhecimento não foi feito no estabelecimento. A polícia irá apurar se houve fraude.
Campo Grande
Como a pessoa a quem foi ofertada a caminhonete não fez o negócio, a investigação teve sequência e descobriu que ela havia sido vendida e estava registrada em nome de um homem. Ele teria pago R$ 340 mil e residia em Campo Grande, onde a Dodge RAM foi encontrada e apreendida.
Agora em Araçatuba, a caminhonete será periciada e a polícia tentará confirmar todo o trajeto feito por ela desde quando saiu de Birigui até ser localizada no Mato Grosso do Sul.