Política

Apenas duas categorias do magistério recebem abaixo do piso em Birigui, afirma Sisep

Sindicato explica os motivos pelos quais aceitou o reajuste apenas para os ocupantes dos cargos de educador de creche e orientador pedagógico de CEI; situação das babás deverá ser discutida judicialmente

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
08/03/23 às 13h40

Instituído pelo governo federal, o piso salarial para os profissionais do magistério teve, no ano passado, a maior correção desde o surgimento da Lei do Piso em 2008. Com reajuste de 33,24% anunciado pelo então presidente Jair Bolsonaro, o mínimo que deveria ser pago para os profissionais da área em todo País passou a ser de R$ 3.845,63 para jornada de trabalho de 40 horas semanais.

Em Birigui (SP), duas categorias do magistério estavam recebendo abaixo do piso nacional: os educadores de creche e orientadores pedagógicos de CEI (Centro de Educação Infantil), afirma o Sisep, sindicato dos servidores públicos municipais. Por isso, apenas essas duas categorias entraram na negociação feita entre o sindicato e a Prefeitura, que culminou com o Projeto de Lei Complementar nº 1/2023. O texto foi aprovado por maioria na Câmara, porém gerou críticas, debates e manifestações.

Base

Conforme o presidente do Sisep, Gilson Paulino da Silva, o piso nacional é uma base, significa que nenhum Estado ou município pode pagar menos do que o estabelecido pelo governo federal. No entanto, a lei fala em 40 horas semanais de trabalho, por isso é preciso fazer o cálculo proporcional nos municípios. Em Birigui a jornada varia de 20 a 40 horas semanais, e os salários iniciais vão de R$ 2.141,08 a R$ 7.323,94, de acordo com o cargo.

No caso do educador de creche, cuja jornada de trabalho é de 32 horas semanais, o salário base deveria ser de R$ 3.076,80 (valor proporcional ao piso nacional). No entanto, os ocupantes do cargo recebem R$ 2.462,53 como piso.

O orientador pedagógico de CEI, cuja jornada é de 40 horas semanais, recebe R$ 3.388,37, abaixo do mínimo estabelecido.

Com a aprovação do projeto na Câmara e posterior sanção do projeto, essas categorias passarão a ter piso de R$ 3.076,80 e R$ 3.845,63, respectivamente. Os reajustes são de 25% e 13,49%

Gilson Paulino da Silva, presidente do Sisep (Foto: Aline Galcino/Hojemais Araçatuba)

Complemento

Silva explica que desde o ano passado, a Prefeitura passou a pagar a diferença apenas como complemento, não como salário, conforme projeto de lei sancionado, o que trazia perdas. Além disso, quem recebia acima do piso, continuou com o mesmo valor (proporcional à carga de trabalho), sem qualquer alteração, o que também significa perda.

“Como existe um plano de carreira, com progressão de vencimentos conforme o servidor preencha alguns requisitos, um professor com vários anos de profissão passou a receber o mesmo que um iniciante. Agora, esse projeto de lei reconheceu o piso para a carreira do magistério e ainda atualizou toda a tabela de vencimentos desses dois cargos”, explicou.

O servidor muda de letra a cada dois anos, com acréscimo de 3% a cada letra, se preenchidas algumas exigências. Assim, um educador de creche iniciante está na letra A, enquanto um educador de creche com seis anos de atuação está na letra C. Pela tabela anterior, quem estava até a letra G estava recebendo o mesmo salário (parte como complemento) do que um iniciante.

O presidente do Sisep explica que seria inviável alterar a carga horária de todos os cargos para adequar às 40 horas de trabalho semanais do piso, pois foram feitos vários estudos técnicos para a confecção do estatuto do magistério, considerando as necessidades da rede municipal.

Retroativo

O projeto aprovado beneficia diretamente 284 profissionais (272 educadores e 12 orientadores) e é retroativo a 1º de janeiro deste ano. A diferença deverá ser paga integral, no mês de abril, junto com a folha de pagamento do mês de março, quando o valor já deve estar em vigor. O impacto financeiro é de R$ 3,1 milhões em 2023.

A diferença salarial do ano passado, segundo Silva, será cobrada judicialmente. “Estávamos negociando esse projeto desde o ano passado, porém houve mudança nos ocupantes de alguns cargos na Prefeitura e tivemos que recomeçar. Já tínhamos acertado com os funcionários que entraríamos com ação judicial para reconhecer o piso, porém a resolução administrativa é mais rápida. Como a Prefeitura disse que só conseguiria pagar a partir deste ano, aceitamos, e agora vamos tentar receber o restante na Justiça”, disse.

Segundo Silva, ter uma lei que reconhece o piso no município facilita a negociação para outras categoriais, pois não se pode tratá-las com diferença.

O magistério em Birigui tem 12 categorias: professor I – jovens adultos, professor II, educador de creche, educador de oficina curricular, professor de educação infantil, professor I, professor auxiliar, professor educação especial, orientador pedagógico de CEI, diretor de CEI e supervisor de ensino.

Piso nacional de 2023 é R$ 4.420,55

Embora a aprovação do projeto seja uma conquista, mesmo que parcial, o piso nacional do magistério para 2023 já foi definido em R$ 4.420,55 pelo governo federal, reajuste de 15% em relação ao ano passado. O valor ainda não foi implantado no município.

Em Birigui, a negociação agora está em torno do reajuste dos servidores públicos municipais, cuja data-base é março. A proposta da Prefeitura, segundo o Sisep, é de 9,5%.

O índice será colocado em assembleia. No entanto, considerando que seja aprovado, apenas as duas categorias - educador de creche e orientador pedagógico de CEI - continuarão abaixo do piso nacional definido para 2023.

“Lógico que o ideal seria dar o reajuste para todo mundo, mas é preciso entender o índice de 15% do governo federal foi para o piso do magistério, não para o magistério em geral. Não adianta querer iludir o funcionário falando que ele tem direito se não tem. Se ele está ganhando acima do piso, ele não tem direito. Poderia até ser dado pelo Executivo, mas falar que é direito, não. Se está abaixo, aí sim precisa ganhar pelo menos o mínimo”, explicou.

Rateio do Fundeb

O sindicato afirma que além do reajuste, tenta há anos negociar o rateio das sobras do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) para os profissionais da Educação, o que é permitido por lei, o que seria um incentivo para os servidores. No ano passado, as sobras referentes aos repasses de 2021 foram de R$ 2,6 milhões. Neste ano, sobraram quase R$ 7 milhões. Porém, tanto a administração atual quanto as anteriores sempre foram contrárias à medida.

Babás nível 2 ainda ganham abaixo do piso

O Sisep vai entrar com ação judicial para reconhecimento das babás nível 2 como integrantes do magistério e equiparação ao cargo de educador de creche.

São 64 profissionais no cargo, que está em vacância, tendo sido substituído pelo educador de creche. O salário delas atualmente é de R$ 2.462,53 para jornada de 32 horas semanais, o que, proporcionalmente, é abaixo do piso. Não houve negociação para elas.

De acordo com o Sisep, todas as ocupantes do cargo possuem graduação em pedagogia, exigida pela Prefeitura, e atribuições, definidas em estatuto, iguais às do educador de creche.

“A partir do momento que se reconheceu o piso das educadoras de creche e as atribuições da babá nível 2 são as mesmas, vamos entrar judicialmente para implantar o piso para as babás também”, adiantou.

A Prefeitura alega, segundo o sindicato, que as babás pertencem apenas ao grupo de apoio e não ao magistério. “Mas a própria Secretaria de Educação cedeu para elas a HTPL (Horas de Trabalho Pedagógico de Livre Escolha), que é um horário que elas podem fazer em casa ou qualquer outro local de livre escolha, destinado a preparação de aulas e avaliação de trabalho dos alunos. Ou seja, elas preparam aulas, participam da HTPC (Hora de Trabalho Pedagógico Coletivo), têm cadernetas e precisam preenchê-las, reuniões, etc. são educadoras na prática”.

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