Política

Birigui pode perder empreendimento de R$ 100 milhões

Projeto que previa expansão da área urbana para viabilizar a construção de dois condomínios foi adiado duas vezes pelos vereadores

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
12/12/19 às 19h06
Perspectiva de um dos condomínios de casas (Imagem: Divulgação)

O município de Birigui (SP) pode perder um empreendimento imobiliário, cujo investimento é estimado em R$ 100 milhões para a geração de 2 mil empregos diretos e indiretos. O projeto que previa ampliação do perímetro urbano da cidade foi encaminhado para a Câmara, porém foi adiado por duas vezes. Pelos trâmites legislativos, o projeto voltará a plenário apenas em fevereiro, após o fim do recesso parlamentar, ou em sessão extraordinária, caso haja convocação.

A transformação de parte do bairro Tupi, localizado ao fundo do bairro Colinas, em área urbana é determinante para a viabilização do empreendimento. No entanto, o pedido de adiamento e posteriormente de vista feitos pelos vereadores José Luis Buchalla (Patriota) e Carla Cristina Bianchi (PSD), respectivamente, fez com que os empresários da Vila Brasil, que pertence ao grupo Toctao, cuja sede fica em Belo Horizonte (MG), repensassem o investimento.

De acordo com a representante comercial do empreendimento, Ana Paula Lima, a empresa projeta construir dois condomínios fechados, porém populares, no local. Serão 500 casas cada um, totalizando 1.000 unidades habitacionais, avaliadas em R$ 120 mil cada uma, porém vendidas com desconto que chegam a R$ 21 mil por unidade. Um termo de compromisso de compra do terreno foi assinado, mas o negócio só será finalizado com a transformação da área de rural para urbana e diretrizes.

O projeto é totalmente diferente dos que existem na região. Os condomínios serão entregues com área de lazer – piscinas adulto e infantil, churrasqueira, quadra poliesportiva, playground, academia ao ar livre salão de festas. As áreas comuns são equipadas e decoradas, prontas para o uso. O empreendimento é classificado ainda com “inteligente”, pois terá wi-fi, reaproveitamento de água cinza – originada a partir de processos domésticos como lavar louças, roupas e tomar banho – e a entrega de um tablet com aplicativo da construtora que permite monitoramento em tempo real de consumo de água e energia, interfone por vídeo e reserva de espaços comuns, como churrasqueiras, salão de festas, lavanderia, etc.

“Todos os condomínios que a empresa faz são assim. Tudo isso já existe e temos como dar referências porque já está funcionando em outros locais”, afirma Ana Paula.

Conceito do empreendimento (Imagem: Divulgação)

Infraestrutura

Como Birigui tem sérios problemas de saneamento básico e abastecimento de água, a empresa também se comprometeu a investir em algumas soluções. “Algumas unidades da Vila Brasil possuem ETE (Estação de Tratamento de Esgoto), o que possibilita devolver a água ao meio ambiente como água fluvial, sem impacto para a rede de esgoto. O projeto de Birigui conta com uma ETE e a construção de poço profundo para captação de água em cada um dos condomínios, o que resolverá o problema da capacidade de abastecimento”, informa.

De acordo com a representante comercial, foi feita uma reunião na Câmara para explicação do projeto para os vereadores antes dele ir para votação. Nem todos compareceram.

Na primeira sessão que entrou na pauta, no dia 3 de dezembro, o vereador Buchalla pediu adiamento por sete dias.

“Depois disso, eu fiz uma cópia de todos os materiais e entreguei para os 17 vereadores ou assessores. Fiquei na segunda e terça-feira na Câmara disponível para esclarecimento de eventuais dúvidas e para nossa surpresa, houve pedido de vista, sem qualquer explicação”, disse.

Os proprietários da empresa estavam presentes nas duas sessões da Câmara e ficaram indignados com a iniciativa, que classificaram com o “falta de respeito”. A última sessão durou quase quatro horas e o projeto sequer foi discutido.

Documentação

À reportagem, a vereadora Carla Protetora ressaltou que o projeto não foi cancelado, apenas adiado e voltará a ser discutido na próxima sessão.

“Na sessão anterior, o Buchalla pediu adiamento por falta de documentação. Depois de uma semana, na véspera da votação, a empresa entregou parte do material que pedimos faltando documentos sérios e alguns ainda sem assinatura deles”, justificou a vereadora.

Segundo Carla, o local onde o empreendimento será construído é problemático, pois falta esgoto, água, tem muitos acidentes e os condomínios vão superpopulacionar o local. “Nós vereadores precisamos nos preocupar, sim, com a população. É a nossa função (...) Conversamos hoje com o prefeito (Cristiano Salmeirão), que vai chamar o empresário para uma reunião, para que eles não desistam do empreendimento. Ninguém é contra, mas a gente gosta das coisas corretas.”

Questionada sobre o pedido de vista ser para a propositura que amplia o perímetro urbano e não da construção dos condomínios em si, que não dependem da Câmara, pois são investimentos privados, a vereadora disse que “é uma coisa casada”, por isso é preciso analisar o que será feito no local.

Ana Paula nega que tenha faltado documentos e afirma que o questionamento da vereadora é referente a um documento protocolado na própria Prefeitura de Birigui, que traz o carimbo sem assinatura.

Salmeirão garante que projeto ficará em Birigui

O prefeito Cristiano Salmeirão (PTB) afirma que conversou com o representante da empresa Vila Brasil, que não desistiu do projeto de condomínios em Birigui.

“Vamos agendar uma reunião para o dia 7 de janeiro, tendo em vista que a Câmara estará em recesso antes, e depois dessa reunião pretendo pedir, sim, uma sessão extraordinária para que esse projeto volte a ser discutido e aprovado. É desejo desse prefeito que esse projeto fique em Birigui, porque serão mais de R$ 100 milhões em investimento para a cidade”, afirma.

No entanto, ressaltou que a empresa precisa cumprir as exigências do município em relação à água e esgoto. “Estamos pleiteando também a construção de uma ponte para ligar dois bairros, tudo custeado pela empresa como contrapartida (...) não pode ser um investimento que aconteça e depois a Prefeitura tem que cuidar de tudo como acontecia no passado (...) A empresa tem que contribuir de alguma forma para desenvolvimento da cidade”, disse, referindo-se a estruturas básicas, com escolas e unidade de saúde no local.


*Material atualizado às 10h do dia 13/12/2019 para acrescentar que a frase "Na sessão anterior, o Buchalla pediu adiamento por falta de documentação..." foi dita pela vereadora Carla Protetora.

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