O deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ) esteve em Araçatuba no último dia 11, para participar do encerramento do Fórum Jurídico do Unitoledo. Ele falou sobre ética na política e comentou assuntos polêmicos como a nomeação do também deputado e filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), Eduardo Bolsonaro (PSL), para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos.
Calero ficou conhecido nacionalmente após se tornar ministro da Cultura no governo do ex-presidente Michel Temer, em 2016, e renunciar por sofrer pressão do então ministro-chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, para que revertesse uma decisão do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional), que negou uma licença para construção de um edifício em Salvador (BA).
O deputado não aceitou compactuar com o esquema e renunciou ao cargo. Pouco mais de um ano depois, a Polícia Federal descobriu um bunker com mais de R$ 50 milhões em um outro apartamento de Geddel na capital baiana.
“Naquela ocasião eu sabia que se tivesse aceitado teria passado a fazer parte do esquema. Existe uma linha divisória entre o certo e o errado e quando você cruza essa linha para o lado errado não tem mais volta. Hoje provavelmente eu estaria respondendo como cúmplice de Geddel”, afirmou o deputado.
Renovação
O deputado faz parte de um novo grupo de parlamentares vindo de movimentos apartidários, como RenovaBR, Livre e Agora, que defendem uma cultura política de renovação ao mesmo tempo em que se opõe à polarização política.
Uma das características desses agentes políticos é a interação por meio das redes sociais. O deputado explica que, por meio do Twitter e de seu site, consegue interagir diretamente com os eleitores de forma a construir um mandato participativo. É um novo grau de participação que se abre por meio dessas ferramentas.
Ele chama atenção, no entanto, ao fato de muitos internautas se fecharem em “bolhas” e não respeitarem a opinião contrária. “Soma-se a isso ainda o conceito de pós-verdade que tem sido muito disseminado. É quando a pessoa passa a olhar um fato a partir de um prisma, de um pensamento seu. Isso é muito ruim. O indivíduo não consegue debater a opinião, ele simplesmente quer confirmá-la.”
Censura
O deputado comentou ainda os atos de censura do governo federal em alguns aspectos da Cultura, como na aplicação de “filtros” na Caixa Econômica Federal, no momento da destinação de patrocínios e ainda os ataques do diretor da Funarte (Fundação Nacional das Artes) Roberto Alvim, à atriz Fernanda Montenegro que a chamou de “sórdida”.
“A atividade cultural tem a liberdade como fundamento, então qualquer tipo avaliação que se faça sobre ela é um erro em si próprio. Nada que é fruto da intelectualidade pode estar sujeito a qualquer tipo de filtro. E esse governo já falou pela boca do presidente que quer colocar certos filtros,” disse.
Embaixada
Sobre a nomeação do deputado federal Eduardo Bolsonaro à embaixada dos EUA, Calero - que é diplomata por formação e precisou passar em concurso público para poder entrar na carreira - é taxativo: “um absurdo completo.”
Para ele, não basta que as medidas do governo sejam legais, elas devem ser morais. E a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) diz que só podem ser nomeados para cargos de confiança se o indivíduo tiver competência técnica para a vaga o que, segundo ele, não é o caso do Eduardo.
“Essa indicação é própria de ditaduras unipessoais. O presidente confunde o governo, a República com a pessoa dele. Mas é exatamente o contrário. Ele está a serviço da República”, finalizou.