Empresário e no seu primeiro mandato, o prefeito de Glicério, Ildo de Souza (PSDB), acredita que o município pode finalmente ser enxergado pelas autoridades que comandam o País a partir de Brasília (DF). Glicéri ficou famosa após ser reconhecida como terra natal do presidente Jair Bolsonaro (PSL).
Para ele, o presidente ainda possui um grande lastro junto ao eleitorado, no entanto, alerta que é necessário ponderação ao emitir opiniões e, principalmente, que Bolsonaro deve usar um freio de arrumação na relação com os filhos, o deputado Eduardo, o senador Flávio e o vereador Carlos, todos do mesmo partido do presidente.
O senhor teve contato com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) antes da eleição?
Sim, tive contato. Ele esteve duas vezes em Glicério antes da eleição presidencial e eu tive uma reunião com outros dois prefeitos na casa dele, no Rio de Janeiro, representando 14 municípios da nossa região. Após a eleição, conversei com ele por telefone e no começo de agosto nós deveremos nos encontrar no Palácio do Planalto, em Brasília.
O que o senhor vai pedir para ele?
Eu já protocolei em alguns ministérios como Saúde, Meio Ambiente, Turismo e Infraestrutura, alguns pedidos. A gente não quer nada fora da lei, mas como o presidente nasceu aqui, ele pode sinalizar algum projeto pro município, já que Glicério ficou 30 anos estagnado sem investimentos. Além disso, protocolei alguns pedidos com os filhos dele.
Boa parte da população da terra natal do presidente se queixa de falta de emprego. Esse assunto está na pauta do encontro?
Está. Nós temos um projeto para implantação de um parque industrial às margens da rodovia Marechal Rondon; estamos negociando área pra isso. Mas o município perdeu muita arrecadação nos últimos 12, 15 meses e precisamos eleger prioridades. Vou aproveitar pra falar sobre uma parceria nesse assunto com o governo federal.
Como o governo federal pode ajudar nisso?
Ajudando a implantar o parque. Nós temos apenas uma indústria, que atua no ramo de calçados e que demitiu 70% dos funcionários. Quando a empresa demite funcionários é o último estágio, ela já teve uma série de complicações anteriores. Outro grande baque no nosso município foi o fechamento da usina sucroalcoleira de Brejo Alegre. Glicério tinha entre 250 e 400 funcionários naquela empresa, todos com plano de saúde. Depois de serem demitidos, todos começaram a utilizar os serviços públicos, UBSs (Unidades Básicas de Saúde), por exemplo. E fica difícil, ainda mais com atraso de repasses e outros entraves.
Qual sua opinião sobre a proposta de reforma da previdência, principal bandeira do governo neste começo de mandato?
O nosso regime é CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), então eu não tenho muita dependência da Previdência. Porém, a reforma é necessária, obrigatória e está atrasada, mas é preciso critérios. Não pode ser uma reforma que traga benefícios para os maiores e tirar mais de quem não tem. A reforma é unânime pra quem quer o melhor do Brasil.
E sobre as polêmicas envolvendo o governo?
É, não é tudo que ele faz que eu aprovo. Uma coisa que ele precisa fazer é arrumar a casa dele. Arrumar o partido dele. Os filhos falam demais, tem parlamentar do partido dele que fala demais. Ele precisa arrumar a cozinha dele para as coisas começarem a andar. O presidente precisa esquecer que tem filhos e que ele tinha um comportamento por 28 anos como deputado federal. Hoje ele é presidente de uma nação enorme e deve pensar antes de falar. O presidente não é qualquer coisa, ele é vitrine . Tudo o que ele fala soa dez vezes mais alto. Eu quero que o Brasil mude, mas precisamos olhar para quem passa dificuldade. O presidente está no caminho certo, mas precisa ajustar a casa dele.