Política

Polêmica de banho dado por homens em creches vira projeto na Alesp

Assinado por três deputadas estaduais do PSL, projeto quer tornar cuidados íntimos com crianças uma exclusividade de mulheres

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
16/10/19 às 21h06

Projeto de lei protocolado nesta quarta-feira (16), assinado pelas deputadas estaduais do PSL Janaína Paschoal, Leticia Aguiar e Valeria Bolsonaro, quer tornar os cuidados íntimos com crianças na educação infantil uma exclusividade de profissionais do sexo feminino.

De acordo com a proposta, são considerados cuidados íntimos os banhos, trocas de fraldas e roupas, bem como auxílio para usar o banheiro. Já as atividades pedagógicas e aquelas que não implicarem cuidado íntimo com crianças poderão ser desempenhadas por profissionais de ambos os sexos.

Os homens que atuam na educação infantil e que, na data da publicação da lei, forem responsáveis pelos cuidados íntimos com as crianças serão reaproveitados em outras atividades compatíveis com o cargo que ocupam, sem sofrer prejuízos em sua remuneração.

No ensino fundamental 1, quando necessitarem de auxílio para usar o banheiro, as crianças serão acompanhadas exclusivamente por profissionais do sexo feminino.

Além de crianças, se aprovada, a lei se aplicará aos cuidadores de crianças com necessidades especiais.

Janaína Paschoal já tinha abordado o assunto na Assembleia (Foto: Carol Jacob/Alesp)

Araçatuba

O projeto nasceu da preocupação de uma mãe de Araçatuba, conforme consta na justificativa, que procurou Janaína neste mês para falar que, por força de lei municipal, homens haviam sido admitidos em concurso, para tratar dos cuidados íntimos com crianças nas instituições públicas de ensino infantil.

“Na mensagem, a mãe se dizia insegura para trabalhar e solicitava auxílio, por temer ser sua criança vítima de algum tipo de abuso sexual”, diz na justificativa.

O projeto de lei cita ainda reportagem feita pelo Hojemais Araçatuba ( Mães protestam contra homens dando banho em bebês em creches ) para exemplificar o inconformismo da população com a situação.

O problema, segundo Janaína, não seria restrito a Araçatuba, mas outras cidades do Estado, como Ribeirão Preto e Barretos.

Por isso, a parlamentar buscou opinião das demais colegas que assinam o projeto e, juntas, “entenderam ser necessário elaborar uma lei para garantir a tranquilidade desejada por toda família que deixa sua criança em uma instituição de ensino, pública ou privada.”

Polêmica

A polêmica sobre homens como agentes escolares, cujo cargo, entre várias atribuições, é responsável pelo banho e troca de fraldas de crianças gerou protestos. Um grupo de mães foi até a Câmara dos Vereadores, por duas sessões seguidas, cobrar providências.

Nesta semana, um requerimento pedindo informações sobre o assunto foi aprovado pelos parlamentares e uma reunião entre a Comissão de Educação da Câmara e a Educação Municipal foi realizada.

Por enquanto, os vereadores irão consultar os departamentos jurídicos da Prefeitura e da Câmara para alterar a legislação. Se possível as atribuições passarão a ser feita pela secretaria.

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