Política

"Precisamos resolver de forma que não seja traumática," afirma Tieza

Presidente da Câmara diz que pretende encarar a questão dos altos salários dos assessores dos vereadores

Guilherme Leal - Hojemais Araçatuba
27/04/19 às 13h06
(Foto: Angelo Cardoso/Divulgação)

Em entrevista ao Hojemais Araçatuba , a presidente da Câmara de Vereadores de Araçatuba (SP), Tieza (PSDB) afirmou que pretende encarar a questão dos altos salários dos assessores dos vereadores.

No mês passado, circulou nas redes sociais imagens que traziam os salários dos chefes de gabinete dos 15 vereadores - informações de domínio público e que estão no site da Câmara.

Segundo Tieza, o valor do subsídio condensa, em alguns casos, benefícios vindos de anos e que são direitos adquiridos. "É possível mexer com isso e eu acredito ser necessário. Mas é muito fácil você falar de mexer no salário do outro. Eu procuro fazer esse contraponto. As pessoas que estão aqui não chegaram agora, então elas já têm uma convivência com esse ordenado", afirma.

A presidente disse que já foi feita uma reunião com os vereadores onde foi discutido, inclusive, o fato de o salário do vereador ser inferior ao dos assessores, o que denota desequilíbrio. Ela reconhece que os tempos mudaram é que é preciso fazer adequações, porém entende que as mudanças devem valer para a próxima legislatura. “Qualquer alteração no meio do caminho é o mesmo que se mexer nas regras do jogo no meio do jogo. Isso sempre traz prejuízo. Nós temos que fazer alguma coisa. É necessário que seja feito, sim, mas nós não precisamos ter nenhuma violência para resolver esse problema."

Votos

Outra medida que pode ser alterada com iniciativa da Mesa Diretora da Câmara é a mudança no modo como são discutidos os votos de aplauso e pesar. O assunto já foi alvo de críticas e tentativas de inversão de outros vereadores, mas até hoje nada mudou.

Para Tieza, é preciso buscar entendimento de todos os pares para que se chegue num consentimento. “Nós estamos aqui há três meses. Assuntos que envolvem todos os vereadores precisam ser avaliados em conjunto. Nós já fizemos algumas coisas, por exemplo, a redução das comissões. Nós tínhamos comissões na Casa que nunca foram sequer acessadas.”

(Foto: Angelo Cardoso/Divulgação)

Tom

A tucana comentou também a relação entre ela e os vereadores. A presidente chegou a ser acusada por alguns parlamentares de cercear a palavra deles ou interromper demasiadamente. Tieza afirma que não é contra o debate dos projetos ou ideias divergentes, mas que "fugir do tom não é normal". E endossa: "essa é a casa do debate. A casa da divergência de ideias. Tudo isso será muito mais produtivo se as pessoas souberam o limite. Aqui as pessoas são livres para dizer o que quiserem. Mas não têm o direito de dizer da forma que quiserem. Eu acho que a forma é que faz a diferença."

Qualidade

Uma das defensoras da Escola do Legislativo, a presidente acredita que o projeto pode ajudar a melhorar o conhecimento da população com relação ao funcionamento da administração pública e também dos próprios vereadores sobre elaboração das leis.

“No mundo privado, essa tendência de se atualizar é muito grande. Já no mundo público, parece que você é mais acomodado. Então a iniciativa vem para fazer esse movimento dentro do próprio quadro da entidade pública. Qualificar o seu quadro. Os funcionários, os assessores, os vereadores.”

2020

Sobre prospecções eleitorais para o próximo pleito municipal, Tieza é categórica ao afirmar que a preferência na disputa pelo Executivo é do prefeito Dilador Borges (PSDB). “Não sou candidata à Prefeitura, o Dilador tem o direito e a preferência da reeleição. Nós somos do mesmo grupo e qualquer coisa que nós decidirmos será em grupo."

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