Política

Prefeitos terão que seguir decreto estadual de quarentena

Polícia Militar poderá intervir em caso de aglomeração de pessoas, segundo declarações do governador

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
06/04/20 às 16h52
Governador alertou que os prefeitos e prefeitas terão que seguir o decreto estadual de quarentena (Foto: Divulgação)

O governador João Doria (PSDB) deixou claro durante pronunciamento no Palácio dos Bandeirantes nesta segunda-feira (6), que os prefeitos terão que seguir o decreto de quarentena, que proíbe o funcionamento do comércio e serviços não essenciais em todo o Estado.

Pelo decreto em vigor, a quarentena iria até esta terça-feira (7). Porém, um novo decreto deverá ser publicado também na terça-feira, prorrogando esse prazo por mais duas semanas, se estendendo até quarta-feira, 22 de abril.

“Prefeitas e prefeitos terão o dever e a obrigação de seguir a orientação do Governo do Estado. Isto é constitucional, não é uma deliberação que pode ou não ser seguida”, afirmou o Governador.

Na sexta-feira (3), a prefeita de Andradina, Tamiko Inoue (PSDB), publicou decreto autorizando a reabertura do comércio e dos serviços não essenciais no município, a partir desta segunda-feira, contrariando o decreto estadual em vigor.

A decisão chegou até o governo do Estado por parte de outros prefeitos que se sentiram pressionados, e houve a determinação para revogação do decreto, o que foi atendido.

Polícia

Ainda durante o pronunciamento desta segunda-feira, o governador alertou que não será permitida aglomeração de pessoas em nenhuma cidade paulista enquanto o decreto estiver vigorando e a Polícia Militar está autorizada a agir, caso necessário, inclusive com prisão.

“As Guardas Municipais ou Metropolitanas deverão agir e, se necessário, recorrer à Polícia Militar para que imediatamente possa haver a dissipação de qualquer movimento ou aglomeração de pessoas. Esta é uma deliberação que deverá ser rigorosamente seguida pela população do Estado de São Paulo na defesa de suas vidas e de seus familiares”, acrescentou.

Segundo Doria, as regras são as mesmas que vigoram no decreto atual. Porém, de acordo com ele, se for constatado o descumprimento, medidas mais rigorosas poderão ser adotadas.

Isolamento

De acordo com o governo do Estado, a quarentena foi decretada 26 dias após o primeiro caso positivo de coronavírus ser registrado, quando havia 810 infectados e 22 mortes. Na Itália, a quarentena foi decretada 49 dias do primeiro caso, quando havia 47.021 casos e 4.032 mortes.

Estudo do Instituto Butantan em parceria com o Centro de Contingência, aponta que antes das medidas de restrição, uma pessoa contaminada transmitia o vírus para outras seis pessoas.

Em 20 de março, o número caiu de uma para três e no dia 25 já era de uma para menos de duas. Só será possível dizer que a epidemia foi controlada quando a taxa for menor do que um para um, segundo o governo.

Outro dado do estudo é que 66% dos paulistanos ficaram em casa após 23 de março, mas a taxa caiu nos últimos dias, somando 52,4% em 2 de abril na cidade de São Paulo e 51,8% no Estado.

Mortes

Ainda de acordo com o governo, no Estado, mais de 400 hospitais públicos e privados já notificaram casos suspeitos de coronavírus e foram 275 mortes registradas em 20 dias. Em todo o ano de 2019, foram 297 óbitos por gripe registrados em São Paulo.

Comparado com a meningite, a covid-19 mata dez vezes mais, totalizando até o momento 13,7 mortes diárias, em média, contra 1,3 morte/dia por meningite no Estado em 2018, conforme informações consolidadas pela Vigilância Epidemiológica do Estado.

Perfil

Entre os mortos por coronavírus, 85,8% tinham 60 anos ou mais e desses, 92,1% tinham algum tipo de comorbidade.

Entre todas as faixas etárias, dos pacientes que tinham alguma comorbidade, 69,1% eram cardiopatas; 47,1% possuíam diabetes; 16,1% apresentavam pneumonia; 12,6% tinham algum tipo de doença neurológica; 7,6% possuíam imunodeficiência; 3,1% eram asmáticos; e 2,2% apresentavam doença hematológica.

Prevenção

Projeção do Instituto Butantan estima que a prorrogação da quarentena pode evitar 166 mil mortes em São Paulo, 630 mil hospitalizações e 168 mil internações em UTIs.

O governo argumenta que a manutenção do isolamento social será importante para que o Estado organize a rede pública de Saúde para atender a demanda.

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