Política

“Que mandemos para a frente de batalha as pessoas mais sadias”, defende vereador

Para o médico Flávio Salatino (PV), de Araçatuba (SP), prolongamento da quarentena provocará caos social

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
06/04/20 às 22h51
(Foto: Câmara de Araçatuba)

O vereador Flávio Salatino (PV), de Araçatuba (SP), usou seu espaço na “tribuna livre”, desta vez, em sistema de videoconferência, para defender o fim da quarentena estendida pelo governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), medida que ele chamou de “prenúncio de uma tragédia”.

Durante a sessão da Câmara desta segunda-feira (6), Salatino afirmou que municípios e estados vivem uma tragédia econômica e social, e a sociedade tem sido sacrificada por uma epidemia que poderia ser controlada diferente.

Para ele, as medidas emergenciais de controle ao novo coronavírus, que causa a covid-19, irão causar um caos social, que já estaria se apresentando no horizonte, como a fome e a criminalidade.

Guerra

A situação, segundo o vereador, exige uma estratégia de guerra. “Que mandemos para a frente de batalha as pessoas mais sadias, porque a mortalidade vai ser baixa. Vai morrer? Provavelmente. No entanto, se a gente virar as costas para o vírus, no dia 22, quando terminar a quarentena, o vírus vai se espalhar da mesma forma”, defendeu, ressaltando que a quarentena só irá achatar a curva de contaminação, empurrado o aumento do número de casos para o período mais crítico no Brasil, que é o inverno, onde há maior incidência de transmissão de outras doenças respiratórias, como a H1N1.

Ações

Salatino, que é médico, disse que está disposto a conversar com autoridades e transmitir o pouco de conhecimento que tem sobre o assunto. Lembrou que os estudos que se têm são de países com clima e sociedade diferentes da brasileira e que as estatísticas deveriam ser repensadas.

Para ele, é preciso cuidar dos grupos de riscos, como idosos. No entanto, não vê sentido tirar crianças das escolas, sendo que para elas, a mortalidade é de 0,1%. “Vamos tirar o ente da família para não prejudicar aquela criança”, disse. Como exemplo, ele citou a criação de casas de acolhimento.

Beatriz lembrou que os casos mais leves não são notificados (Foto: Câmara de Araçatuba)

Contra

Arlindo Araújo (MDB), Beatriz Nogueira (Rede) e Jaime José da Silva, o Dr. Jaime (PSDB), se posicionaram contra a fala de Salatino.

Arlindo lembrou que o vírus é altamente contagioso e que países que trabalharam com a ideia de deixar a população exposta para adquirir imunidade tiveram consequências gravíssimas.

Citou ainda o depoimento do médico infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus do Estado, que contraiu a doença e falou hoje durante coletiva do governo paulista sobre o sofrimento que a covid-19 causa e alertou que só vão se salvar pessoas que tiverem acesso a hospitais de qualidade, que tenham boas estruturas e corpo clínico capacitado.

Beatriz citou a subnotificação dos casos. Ela conta que tem amigos em Brasília (DF) que participaram de uma sessão onde centenas de pessoas foram contaminadas. No entanto, nenhum desses casos apareceu nas estatísticas oficiais, pois só se submeteram a exames pessoas hospitalizadas, o que não ocorre na maioria dos casos.

Dr. Jaime afirmou que a posição de Salatino é rara entre o pessoal da medicina, pois infectologistas mundialmente reconhecidos defendem exatamente o contrário.

“Eu tenho consciência do sacrifício que se faz, mas não podemos abrir mão da proteção à vida”, defendeu Dr. Jaime.

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