A sessão da Câmara dos Vereadores de Birigui (SP) desta terça-feira (15) foi marcada por uma queda de braços entre situação e oposição. Parte dos parlamentares da base do prefeito Cristiano Salmeirão (PTB) tentou barrar até aprovação de requerimentos, que é um instrumento apresentado pelos vereadores para exigir informações oficiais do Executivo.
Inconformado, o vereador Rogério Guilhen (PV) usou a tribuna e denunciou supostos acordos entre o Executivo e Legislativo.
Assim que começou a leitura dos requerimentos, ficou clara a disputa e, por pouco, os requerimentos dos vereadores César Pantarotto Junior (Podemos), Clóvis Batista do Nascimento (PDT) e Guilhen não foram rejeitados. Eles pediam informações sobre gastos com a CIP (Contribuição de iluminação pública), doação de área no distrito industrial e informações sobre ruas que receberão recapes nos bairros Jardim do Lago, Recanto Verde 1 e 2, São José, Tijuca e Jardim Flamengo, respectivamente.
Do contra
A bancada do contra estava formada por Andrey Fernando Servelatti (PSDB), Carla Cristina Bianchi, a Carla Protetora (PSD), Cláudio Barbosa de Souza, o Kal (PSB), José Roberto Merino Garcia, o Paquinha (PMDB), Leandro Moreira (REP), Odair José Aparecido Piacente, Odair da Monza (PSC) e Valdemir Frederico, Vadão da Farmácia (PTB). No entanto, os favoráveis eram oito – José Luis Buchalla (Patri) não estava na sessão.
Por outro lado, requerimentos das vereadoras Milene Barbosa de Souza (PT) - que está substituindo Eduardo Fonseca de Luca, o Eduardo Dentista, do mesmo partido – e Carla Protetora (PSD) foram aprovados por unanimidade.
Trocas
Inconformado com a situação instaurada na tribuna livre, Rogério Guilhen saiu para o ataque, acusando o prefeito de tentar convencer vereadores a aprovar projetos de seu interesse em troca de favores políticos.
“Eu fiz um requerimento pedindo informações ao prefeito sobre algumas ruas dos bairros próximos onde moro, porque é onde eu vivo e é onde eu sou questionado. Não estou pleiteando prioridade para onde eu moro como foi dito aqui”, iniciou o assunto. “Pelo contrário, se eu tivesse feito isso, eu teria atendido a um pedido do prefeito que, no final do ano, quando ele precisava de votos para poder vender a água da nossa cidade, me convidou para ir até o gabinete dele para realizar o meu sonho, que era asfaltar um trecho da rua onde eu moro. Eu disse pra ele: prefeito, eu não vou, porque eu sei o momento político que estamos vivendo e eu sei o que significa essa ida ao seu gabinete”, completou.
De acordo com ele, a resposta ainda foi acompanhada de um alerta sobre o que a recusa em asfaltar a rua significa para os eleitores. “Se o senhor tiver que fazer isso (asfaltar o bairro), não faça por mim, faça pelos moradores de lá, eles merecem (...) Faça por eles, porque votaram no senhor e não merecem ter retirado um direito que eles têm”.
Valores
O vereador do PV disse ainda que se porta nas sessões de acordo com seus valores, não como oposição e que não entendia o motivo de um requerimento tão simples foi tratado de tal maneira pelos colegas.
“Se for tirar o nosso direito de informação e de fiscalização, que é o único que temos aqui dentro dessa Casa, pra que ter vereador se até o direito de fiscalizar está querendo ser tirado?”, questionou.
Rogério Guilhen agradeceu aos que não fizeram parte do possível acordo. “Fiquei muito feliz porque tem pessoas que sabem dizer não, mesmo sabendo que vão sofrer opressão e perseguição (...) que seguem seus valores e não aceitam ser pressionado por causa de favores políticos para serem releeitos depois”.
Para o parlamentar, o que aconteceu é vergonhoso. “Pelo menos para mim (é vergonhoso). Se os outros não acham que é pra eles, então que cada um conviva com sua consciência e com seus valores”, finalizou.
Sem barganha
Questionado sobre as acusações de Guilhen, o prefeito Cristiano Salmeirão informou que quando necessário faz reuniões com os vereadores com objetivo de dialogar sobre projetos de interesse dos moradores. "Peço votos visando o melhor para a cidade, sem fazer barganha ou conluio".
"Acredito que o parlamentar Guilhen queira fazer um jogo político, usando frases de efeito para conquistar 15 minutos de fama de seu apagado mandato. Jamais barganhei votos com o Guilhen ou om outro parlamentar. Fiquei 12 anos na Câmara e acredito que o Legislativo é um poder independente e que cada parlamentar vota com sua visão particular", disse.
Ainda segundo Salmeirão, ele não pede e nem pretende pedir que os vereadores da base votem contrário aos requerimentos da oposição, pois o governo não tem nada a esconder e "apesar de muitas vezes os requerimentos servirem para atrasar os trabalhos dos secretários, caso aprovados serão respondidos”.