A Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (TRT/MS) promoveu, nos dias 22 e 23 de outubro, o evento "As Novas Tecnologias no Âmbito das Relações de Trabalho", no auditório da UFMS, em Três Lagoas. A programação reuniu magistrados, advogados e acadêmicos para debater os desafios que as transformações tecnológicas impõem ao Direito e à atuação da Justiça do Trabalho.
PLATAFORMAS E NEGOCIAÇÃO COLETIVA
Entre os destaques da programação, a palestra "Trabalho em Plataformas e Vínculo de Emprego", ministrada pela professora Teresa Alexandra Coelho Moreira, abordou o controle exercido por algoritmos e seus efeitos na caracterização da subordinação jurídica. Já a juíza Thereza Christina Nahas, do TRT-2, discutiu os efeitos do Tema 1046 do STF sobre a validade de normas coletivas que limitam direitos trabalhistas.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E PROVAS DIGITAIS
O ministro do TST Amaury Rodrigues Pinto Junior tratou da geolocalização como meio de prova e das medidas executivas atípicas, como a apreensão de CNH e passaporte. Ele também alertou para o risco das chamadas "alucinações" da inteligência artificial — quando os sistemas produzem informações falsas —, defendendo a supervisão humana e a cautela no uso da ferramenta.
O tema foi aprofundado pelo advogado André Clemente Maranha, que discutiu os limites éticos da IA no processo do trabalho, e pela professora Carolina Ellwanger, que destacou a dimensão humana da mediação diante da tecnologia. O consenso entre os debatedores é de que a IA deve atuar como ferramenta de apoio, sem substituir a análise e o julgamento do magistrado.
A abertura contou com a presença do diretor da Escola Judicial, desembargador Francisco Filho; do ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Amaury Rodrigues Pinto Junior; da diretora do campus três-lagoense da UFMS, professora Larissa Barcelos; do vice-presidente da OAB de Três Lagoas, Marcos Vinícius Akamine; e da juíza Beatriz Maki Shinzato Capucho.
