O uso de cigarros eletrônicos, popularmente conhecidos como vapes, tem crescido de forma alarmante entre os adolescentes brasileiros. Um estudo recente co-dirigido pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, e publicado pela revista Tobacco Control, reforça a preocupação. A pesquisa revela que adolescentes que usam vapes têm um risco 30 vezes maior de se tornarem fumantes de cigarro convencional em comparação aos que nunca utilizaram o dispositivo.
Para aqueles que nunca haviam experimentado cigarros eletrônicos, a chance de começar a fumar regularmente era menor que 1 em 50. Já entre os usuários frequentes de vapes, o risco sobe para quase 1 em 3.
Segundo dados inéditos do terceiro Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III), a prevalência do consumo entre jovens de 14 a 17 anos (8,7%) já é cinco vezes maior do que a do tabaco convencional e está acima da média nacional (5,6%) e do uso entre adultos (5,4%).
A pesquisa aponta ainda que 3,7% da população com 14 anos ou mais utiliza exclusivamente os dispositivos eletrônicos, enquanto 1,9% combina o uso com o cigarro tradicional. O cenário acende um alerta para o retrocesso nas políticas públicas de combate ao tabagismo, que ao longo de décadas vinham reduzindo significativamente o consumo entre os jovens.
