A campanha de vacinação contra a dengue em Três Lagoas enfrenta a baixa adesão à segunda dose do imunizante entre adolescentes de 10 a 14 anos. Dados da Central de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) revelam uma queda de 52,76% na cobertura vacinal ao comparar a aplicação da primeira e da segunda dose.
Desde o início da campanha, em fevereiro de 2024, 7.439 adolescentes receberam a primeira dose, o que representa 77,49% do público-alvo estimado em 9.600 pessoas. No entanto, apenas 3.514 retornaram para completar o esquema vacinal, resultando em uma cobertura de apenas 36,60% para a segunda dose.
A coordenadora da Central de Imunização, Humberta Azambuja, alerta que a proteção completa contra a dengue só é alcançada após a aplicação da segunda dose. Segundo ela, a eficácia da vacina atinge 80,2% para evitar a doença e 90,4% para prevenir formas graves e hospitalizações quando o esquema vacinal é concluído. Com apenas uma dose, a eficácia despenca para cerca de 40% e 45%, respectivamente.
Entre os principais fatores da queda de cobertura vacinal, estão:
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Esquecimento : o intervalo de três meses entre as doses faz com que muitos pais e responsáveis se esqueçam de retornar;
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Falsa sensação de segurança : com a chegada do inverno e a redução dos casos, muitas famílias deixam de se preocupar com a imunização;
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Medo de reações adversas : relatos isolados de efeitos colaterais após a vacinação acabaram gerando receio e hesitação por parte dos responsáveis.
Ainda conforme a coordenadora, não há previsão de ampliação da faixa etária contemplada pela campanha, que permanece restrita a adolescentes entre 10 e 14 anos, grupo definido com base em critérios técnicos da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI) e nos dados epidemiológicos do município.
A Secretaria Municipal de Saúde reforça que todas as Unidades de Saúde da Família (USFs) continuam oferecendo a vacina contra a dengue para o público-alvo. A SMS alerta que a vacinação é fundamental para proteger os adolescentes e reduzir os riscos de surtos da doença no futuro.
