Com a pandemia, enfermeiros, que estão expostos ao Covid-19 e pacientes que foram contaminados, estão recebendo ataque por meios de comunicação. Há pessoas que dizem que “eles estão disseminando ainda mais a doença” em vez de dar o amparo necessário nesse momento de crise. E é por esse motivo, que o entrevistado não será identificado.
Ele tem 27 anos, fez uma viagem para o nordeste no dia 14 de março, os casos de coronavírus no Brasil ainda estavam começando, “havia alguns casos em São Paulo e outros em Brasília”, ele explicou.
Após uma semana de viagem, foi ao aeroporto de Recife para pegar escala em campinas e depois chegar a sua cidade. Lá mesmo, começou a se sentir mal, cansaço, dor de cabeça e dessaranjo intestinal estavam entre os sintomas.
Relembra também que assim que chegou no aeroporto de Recife, havia uma multidão, pessoas de todo lugar do Brasil e do mundo, crianças, jovens e idosos, todos estavam aglomerados em um local só.
A companhia aérea estava prestando serviço com apenas um atendente, o que resultou em uma espera de mais e 2h na fila, por fim, seu voo mudou de horário, não foi disponibilizado o check in online, e as pessoas que tinham destino Viracopos e Guarulhos foram todas colocadas apenas em um voo, direto para viracopos.
Ele foi avisado que o voo de Campinas até sua cidade havia sido cancelado.
Ele afirma que fez todo o percurso com máscara e com álcool em gel em mãos, mas muitos não estavam seguindo as recomendações do Ministério da Saúde.
Durante o voo, começou a ter febre e enjoo. Chegando em Campinas, foi buscar um hotel às pressas, e quando encontrou foi avisado pelo recepcionista que “por sorte conseguiu a diária”, pois devido a um decreto que foi emitido, no próximo dia, não poderia ter mais ninguém no hotel.
No domingo, 22 de março, pegou o voo para sua cidade. Como havia passado por lugares com aglomerações de pessoas e estava sentindo alguns sintomas, ele diz que chegou em casa, tomou um banho e foi direto para o quarto. Ele continua lá tem 12 dias.
Como mora com os pais, tem medo de realmente estar com a Covid-19 e passar para eles, afinal, seu pai é grupo de risco por ter 58 anos e ser fumante
Dessa maneira, se torna essencial seu isolamento no quarto. A comida é colocada na porta e ele não tem contato com ninguém. Diz que passa seu dia estudando, vendo série, mexendo em redes sociais, lendo e vendo notícias sobre o coronavírus.
Assim que ele chegou, conversou com um profissional da saúde, que afirmou para ele se cuidar para os sintomas não se agravarem. Não foi ao hospital ou posto de saúde, já que na época o teste da Covid- 19 estavam sendo feitos apenas em casos graves e em profissionais da área.
Declara que seus sintomas estão cada vez menores e seu isolamento no quarto irá cessar no domingo, passando para o isolamento como o de todos nós.
Ele afirma que uma das partes mais difíceis foi ver o descaso da companhia aérea com a situação, pois não ofereceram o check-in online, não possuíam o número de atendentes necessários, colocaram um número muito grande de pessoas em um mesmo avião e não forneceram hospedagem, mesmo com o voo sendo cancelado.
“Você não sabe se seu pulmão vai estar doendo amanhã, se você vai estar com falta de ar, se no hospital mais próximo vai ter respirador, se vai tem uma UTI e se você vai ter atendido, então são uma série de fatores que vai entrando na sua mente e você precisar ser forte para aguentar, é muito triste isso”, ele finalizou.