O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou inquérito civil para apurar o aumento de atropelamentos de animais nas rodovias que passam por Três Lagoas, além de possíveis falhas na remoção de carcaças deixadas às margens das pistas.
A investigação é conduzida pela 1ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente do município e teve início após denúncia encaminhada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontam que, entre 2020 e 2025, foram registradas 16 ocorrências de atropelamentos de animais na região, sendo seis na BR-158 e dez na BR-262. Os registros, no entanto, não especificam se os animais eram silvestres ou domésticos, tampouco informam o destino das carcaças, o que motivou o MP a cobrar maior padronização e detalhamento nos procedimentos adotados.
Como parte do inquérito, o promotor responsável requisitou informações à PRF, Polícia Militar Ambiental, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Polícia Militar Rodoviária (PMR), Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), Agência Estadual de Regulação (Agems) e concessionárias que administram trechos rodoviários na região. Os órgãos deverão apresentar relatórios com número de ocorrências, causas dos acidentes, forma de remoção das carcaças e registros fotográficos.
A Agems informou que já foram implantadas duas passagens de fauna na MS-306 e que outras 23 estão previstas em diferentes rodovias do Estado, por exigência ambiental. Segundo a agência, essas estruturas contam com monitoramento contínuo para avaliar a efetividade na redução de atropelamentos.
Concessionárias responsáveis pelos trechos informaram que, após o início da operação de praças de pedágio, o fluxo médio mensal supera dois mil veículos em algumas rodovias. Elas afirmam seguir protocolos para remoção rápida de carcaças e sepultamento controlado, além de manter convênios com a Polícia Militar Ambiental para encaminhamento de animais vivos a centros de reabilitação ou atendimento veterinário. Também destacam a instalação de sinalização específica e de passagens de fauna como medidas preventivas.
O MPMS pretende verificar se os procedimentos informados estão sendo efetivamente cumpridos, com foco na proteção da fauna, na segurança dos motoristas e na transparência das ações. A investigação poderá resultar em recomendações formais, ajustes operacionais ou outras medidas para reduzir os riscos ambientais e viários nas rodovias de Mato Grosso do Sul.
Com informações de MS todo dia.
