O Instituto Arara Azul, referência nacional na conservação de aves em Mato Grosso do Sul, emitiu um alerta nesta segunda-feira (1º) sobre os graves impactos das mudanças climáticas na reprodução das araras-azuis, araras-canindé e outras espécies que dependem de cavidades naturais em árvores para criar seus filhotes.
Segundo o Instituto, episódios recentes de ventania intensa derrubaram árvores que abrigavam ninhos ativos, causando perdas imediatas. “Quando uma árvore desse tipo cai, todo o ciclo reprodutivo é interrompido em segundos: o ninho se perde e os filhotes ficam vulneráveis”, destacou a entidade.
A intensificação de tempestades e rajadas de vento — fenômenos diretamente ligados ao aquecimento global — tem tornado esses incidentes mais frequentes. As árvores mais antigas, preferidas pelas araras por apresentarem cavidades naturais adequadas para nidificação, estão entre as mais afetadas.
Para reduzir os impactos, o trabalho de monitoramento diário feito pela equipe técnica e parceiros tem sido fundamental. A vigilância constante permite:
- identificar riscos estruturais nas árvores;
- agir rapidamente após a queda de ninhos;
- reinstalar ninhos artificiais sempre que necessário.
Essa resposta imediata, segundo o Instituto, “garante que filhotes em desenvolvimento continuem protegidos e tenham maiores chances de chegar à fase adulta”.
O Instituto lembra que a conservação das espécies é um trabalho contínuo, técnico e muitas vezes invisível ao público, mas essencial para a sobrevivência das aves em um ambiente cada vez mais pressionado por eventos climáticos extremos.
A entidade reforça a importância da participação popular. Moradores que observarem araras na região ou identificarem árvores utilizadas como ninhos podem contribuir informando os pesquisadores.
Até 17 de novembro, somente em Campo Grande, o Instituto Arara Azul contabilizou a derrubada de 15 ninhos ativos de araras-canindé e maracanãs-de-cara-amarela. Muitas árvores derrubadas abrigavam ovos e filhotes, que morreram com o impacto, resultando em perdas totais ou parciais.
A espécie mais afetada foi a arara-canindé, com:
- 7 ovos perdidos
- 21 filhotes impactados
- 6 não resistiram
- 6 foram encaminhados ao CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres)
- 9 passaram por manejo especializado, sendo realocados para ninhos artificiais ou tendo os ninhos recuperados
A situação reforça a urgência de ações de conservação e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas na fauna de Mato Grosso do Sul.
Campo Grande News
