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Mudanças climáticas derrubam ninhos e colocam filhotes de araras em risco, alerta Instituto Arara Azul

Para reduzir os impactos, o trabalho de monitoramento diário feito pela equipe técnica e parceiros tem sido fundamental.

Da Redação
02/12/25 às 13h46
(Foto: Reprodução)

O Instituto Arara Azul, referência nacional na conservação de aves em Mato Grosso do Sul, emitiu um alerta nesta segunda-feira (1º) sobre os graves impactos das mudanças climáticas na reprodução das araras-azuis, araras-canindé e outras espécies que dependem de cavidades naturais em árvores para criar seus filhotes.

Segundo o Instituto, episódios recentes de ventania intensa derrubaram árvores que abrigavam ninhos ativos, causando perdas imediatas. “Quando uma árvore desse tipo cai, todo o ciclo reprodutivo é interrompido em segundos: o ninho se perde e os filhotes ficam vulneráveis”, destacou a entidade.

A intensificação de tempestades e rajadas de vento — fenômenos diretamente ligados ao aquecimento global — tem tornado esses incidentes mais frequentes. As árvores mais antigas, preferidas pelas araras por apresentarem cavidades naturais adequadas para nidificação, estão entre as mais afetadas.

Para reduzir os impactos, o trabalho de monitoramento diário feito pela equipe técnica e parceiros tem sido fundamental. A vigilância constante permite:

  • identificar riscos estruturais nas árvores;
  • agir rapidamente após a queda de ninhos;
  • reinstalar ninhos artificiais sempre que necessário.

Essa resposta imediata, segundo o Instituto, “garante que filhotes em desenvolvimento continuem protegidos e tenham maiores chances de chegar à fase adulta”.

O Instituto lembra que a conservação das espécies é um trabalho contínuo, técnico e muitas vezes invisível ao público, mas essencial para a sobrevivência das aves em um ambiente cada vez mais pressionado por eventos climáticos extremos.

A entidade reforça a importância da participação popular. Moradores que observarem araras na região ou identificarem árvores utilizadas como ninhos podem contribuir informando os pesquisadores.

Até 17 de novembro, somente em Campo Grande, o Instituto Arara Azul contabilizou a derrubada de 15 ninhos ativos de araras-canindé e maracanãs-de-cara-amarela. Muitas árvores derrubadas abrigavam ovos e filhotes, que morreram com o impacto, resultando em perdas totais ou parciais.

A espécie mais afetada foi a arara-canindé, com:

  • 7 ovos perdidos
  • 21 filhotes impactados
  • 6 não resistiram
  • 6 foram encaminhados ao CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres)
  • 9 passaram por manejo especializado, sendo realocados para ninhos artificiais ou tendo os ninhos recuperados

A situação reforça a urgência de ações de conservação e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas na fauna de Mato Grosso do Sul.

Campo Grande News

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