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 Incêndio no Pantanal entra no segundo dia e desafia bombeiros 

Caso ocorre na Curva do Leque, em Corumbá, e reacende alerta ambiental após queimadas recentes

Thais Constantino  - Hoje Mais Três Lagoas
24/04/26 às 15h15
Divulgação | Reprodução

Equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) seguem mobilizadas desde quinta-feira (23) no combate a um incêndio florestal no Pantanal , na região conhecida como Curva do Leque, localizada no Pantanal do Nabileque, em área rural de Corumbá. Nesta sexta-feira (24), as operações continuam, enfrentando dificuldades causadas pelo comportamento imprevisível das chamas.

De acordo com o sargento André Eduardo Marti, a principal hipótese é de que o incêndio tenha sido provocado por um raio. No entanto, o avanço do fogo no bioma pantaneiro apresenta características distintas de outras regiões.

“O fogo no Pantanal tem uma característica diferente. Ele não se propaga apenas em linha. Em determinados momentos, surgem novos focos em locais distintos, como se alguém tivesse iniciado o incêndio, mas ele aparece de forma espontânea”, explicou o militar.

Ainda segundo Marti, há situações em que as chamas conseguem ultrapassar barreiras naturais, como o Rio Paraguai. “Mesmo quando o incêndio está em uma margem, ele pode atingir a outra. E estamos falando de um rio com mais de 500 metros de largura”, destacou.

Na área atingida, os bombeiros concentram esforços para impedir que o fogo avance das regiões de pastagem para os capões de mata fechada, onde a vegetação é mais densa e o combate se torna ainda mais complexo. Outro desafio é o chamado fogo rasteiro , que se propaga de forma baixa e quase imperceptível.

“Nem sempre é possível identificar a linha de fogo. Ele se desloca rente ao solo e, ao encontrar grande quantidade de material seco, ganha força rapidamente”, detalhou o sargento.

As equipes também enfrentam dificuldades logísticas. Em alguns pontos, o acesso só é possível com o uso de tratores, devido à distância e às condições do terreno no Pantanal.

Histórico recente e alerta ambiental

O novo foco de incêndio ocorre poucos meses após outra ocorrência de grandes proporções em Corumbá. Em janeiro deste ano, queimadas no Nabileque e na região da Baía do Tuiuiú provocaram intensa cortina de fumaça, formação de redemoinhos e exigiram monitoramento constante em áreas de difícil acesso.

Apesar da redução significativa nos registros de queimadas em Mato Grosso do Sul ao longo de 2025, especialistas já alertavam para um cenário de risco em 2026. Entre os fatores estão o acúmulo de vegetação seca após os incêndios severos de 2024 e o período prolongado de estiagem.

 

O combate ao incêndio no Pantanal segue sem previsão de término. O Corpo de Bombeiros reforça o alerta para que a população evite o uso do fogo em áreas de vegetação e acione o telefone 193 em situações de emergência.

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