O compromisso com uma educação plural, crítica e alinhada às legislações que determinam o e nsino de História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena vem ganhando força na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Três Lagoas. Pelo segundo ano consecutivo, o câmpus desenvolve ações de extensão voltadas ao enfrentamento do racismo e à formação docente com base em autores que discutem a descolonização do conhecimento.
Nas escolas da Rede Estadual de Ensino de Três Lagoas, o conhecimento produzido na universidade se encontra com a vivência dos estudantes, criando um ambiente de diálogo e reflexão sobre identidade, cultura e diversidade. É nessa conexão que se desenvolve o projeto de extensão Letramento Racial Crítico , coordenado pela p rofessora doutora Icléia Caires Moreira em parceria com o professor doutor Fabrício T. Parreira Ono, que também acompanha o desenvolvimento pedagógico da proposta.
A iniciativa está em sua segunda edição. Em 2024, a UFMS realizou o projeto Letramento Étnico-Racial, voltado exclusivamente à literatura e aos saberes dos povos indígenas, cumprindo a obrigatoriedade prevista na Lei 11.645/2008. Já em 2025, o foco se volta à literatura negra, alinhando-se à Lei 10.639/2003, que determina o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas. As duas etapas têm um objetivo comum: oferecer suporte formativo a acadêmicos de Letras, professores parceiros e estudantes da rede pública, contribuindo para práticas pedagógicas mais críticas e inclusivas.
A professora Icléia explica que o projeto nasceu da necessidade de colocar em circulação autores e leituras que ainda aparecem pouco nas escolas e até mesmo na universidade. "O projeto que trabalha Letramento Racial Crítico, na versão deste ano, foi motivado por conta da questão da necessidade dos alunos de entrarem em contato com leituras que são produzidas, tanto por indígenas quanto por pessoas negras, e que por hora, tanto na universidade quanto nas escolas, ainda não tem sido trabalhado o suficiente para que algumas questões relacionadas ao racismo sejam desconstruídas", afirma.
