AO VIVO
Cotidiano

Projeto Letramento Racial Crítico une universidade e escolas para descolonizar saberes e ampliar o debate racial

Iniciativa aprofunda debates sobre identidade, racismo e pluralidade cultural e forma estudantes, professores e futuros docentes.

Andressa de Paula - Hojemais Três Lagoas
04/12/25 às 10h42
Foto: Divulgação

O compromisso com uma educação plural, crítica e alinhada às legislações que determinam o e nsino de História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena vem ganhando força na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Três Lagoas. Pelo segundo ano consecutivo, o câmpus desenvolve ações de extensão voltadas ao enfrentamento do racismo e à formação docente com base em autores que discutem a descolonização do conhecimento.

Nas escolas da Rede Estadual de Ensino de Três Lagoas, o conhecimento produzido na universidade se encontra com a vivência dos estudantes, criando um ambiente de diálogo e reflexão sobre identidade, cultura e diversidade. É nessa conexão que se desenvolve o projeto de extensão Letramento Racial Crítico , coordenado pela p rofessora doutora Icléia Caires Moreira em parceria com o professor doutor Fabrício T. Parreira Ono, que também acompanha o desenvolvimento pedagógico da proposta.

A iniciativa está em sua segunda edição. Em 2024, a UFMS realizou o projeto Letramento Étnico-Racial, voltado exclusivamente à literatura e aos saberes dos povos indígenas, cumprindo a obrigatoriedade prevista na Lei 11.645/2008. Já em 2025, o foco se volta à literatura negra, alinhando-se à Lei 10.639/2003, que determina o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas. As duas etapas têm um objetivo comum: oferecer suporte formativo a acadêmicos de Letras, professores parceiros e estudantes da rede pública, contribuindo para práticas pedagógicas mais críticas e inclusivas.

A professora Icléia explica que o projeto nasceu da necessidade de colocar em circulação autores e leituras que ainda aparecem pouco nas escolas e até mesmo na universidade. "O projeto que trabalha Letramento Racial Crítico, na versão deste ano, foi motivado por conta da questão da necessidade dos alunos de entrarem em contato com leituras que são produzidas, tanto por indígenas quanto por pessoas negras, e que por hora, tanto na universidade quanto nas escolas, ainda não tem sido trabalhado o suficiente para que algumas questões relacionadas ao racismo sejam desconstruídas", afirma.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Formação teórica e intervenção nas escolas

O projeto se estrutura em duas grandes etapas. Primeiro, os acadêmicos dos três cursos de Letras do câmpus de Três Lagoa s (Português/Inglês, Português/Espanhol e Português/Literatura) participam de encontros formativos, estudando teorias discursivas, epistemologias decoloniais e obras literárias de autores negros. Entre os nomes trabalhados estão Cida Bento, Djamila Ribeiro, Bárbara Carine Ribeiro, Gabriel Nascimento, Ana Maria Gonçalves — primeira mulher negra imortal da Academia Brasileira de Letras — e Itamar Vieira Junior, referência da literatura contemporânea.

Em seguida, os estudantes levam esse aprendizado para dentro das escolas estaduais Fernando Corrêa e João Ponce de Arruda, onde aplicam aulas planejadas no projeto, sempre sob supervisão das professoras parceiras Vitória Regina Xavier e Luciana Rueda Soares.

Leitura do livro e leitura do mundo

A metodologia adotada une literatura, discurso e crítica social. Os acadêmicos aprendem a planejar atividades, organizar oficinas e construir abordagens que rompam com perspectivas exclusivamente eurocêntricas. Para a professora Icléia, o impacto vai além da sala de aula, pois ais do que ler textos, os estudantes aprendem a ler o mundo. O letramento racial crítico transforma a forma como eles entendem a si mesmos, aos colegas e à sociedade.

A experiência também fortalece a formação das professoras supervisoras e de toda a comunidade escolar. Ao ampliar a circulação de obras negras e indígenas, o projeto contribui para a construção de repertórios mais plurais, encorajando reflexões sobre racismo, identidade, pertencimento e cidadania.

Foto: Divulgação

Educação como compromisso social

A ação busca descolonizar pensamentos em formação e promover deslocamentos no modo como os estudantes percebem as relações sociais, quebrando assimetrias historicamente naturalizadas no ensino.

A proposta está diretamente alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, sobretudo os que tratam de igualdade, educação de qualidade e redução das desigualdades. Ao unir universidade e escola pública, teoria e prática, literatura e vivência, o Letramento Racial Crítico reafirma o papel transformador da educação.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM COTIDIANO
Franquia:
Três Lagoas MS
Franqueado:
Empresa Jornalística e Editora Hojemais Ltda.
01.423.143/0001-79
Editor responsável:
WESLEY MENDONÇA SRTE/SP46357
atendimento@agitta.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.